junho 30, 2009

ATOS INSANOS: MOTOS E MORTOS

Eu acho que montar um veículo motorizado, de não sei quantos cavalos de força, com duas rodas, chamado de motocicleta, é um ato insano. Por mais que digam que pode haver algumas medidas de segurança para o condutor, qualquer queda – e isso é mais do que provável de acontecer – coloca a pessoa em risco de ferimentos graves e de morrer.

Pilotar um desses instrumentos de morte pode ser acrescentado à lista desses atos insanos de opção individual, como tantos outros que os seres humanos adotam com certa tranquilidade, até mesmo com um ar blasé de desafio à morte. Afinal, cada um escolhe o jeito como quer viver ou morrer.

Mais insano ainda é quando, ao risco do condutor, se acrescenta o risco do carona, ou seja, o idiota (ou suicida) que se senta atrás de um desses veículos para ser conduzido, em ziguezague pelas ruas esburacadas, por entre carros, ônibus, caminhões e até pedestres, apenas para tentar chegar mais rápido a algum lugar. Tem, sim, a possibilidade de chegar mais rápido ao cemitério.

Milhares de prefeitos de cidades pelo Brasil afora permitem – já que não há lei regulamentando tal negócio – o chamado mototáxi, ou seja, fecham os olhos, criminosamente, a que uma frota, quase sempre sem fiscalização, de motocicletas funcione como táxi, conduzindo passageiros. Não se sabe se os condutores são devidamente treinados para isso. Não se sabe se os veículos, perigosos por si mesmos, que eles conduzem, estão em boas condições de conservação. Não se sabe quase nada e é muito difícil, quase impossível, fiscalizar tais veículos, por sua rápida proliferação.

Incautos, milhares e milhares de pessoas confiam suas vidas a esses veículos inseguros e a seus condutores mal preparados e, muitas vezes, irresponsáveis, por dirigirem de forma perigosa ou por não terem o preparo necessário ou por não terem em perfeitas condições de condutibilidade os seus veículos que, repito, já são perigosos por si mesmos.

Agora, o Congresso aprova lei que regulamenta – leia-se: permite – que todas as cidades adotem tal tipo de condução.

Em São Paulo, onde o trânsito de motocicletas atinge o clima de epidemia, morrem pelo menos quarenta – eu repito: quarenta – motoboys por mês, em acidentes de trânsito. Imaginem-se a quantidade de feridos, de inutilizados para o trabalho, e os gastos em hospitalização, remédios, horas e recursos médicos, os prejuízos dos engarrafamentos, da perda de tempo e de bens materiais. A conta é astronômica.

Aprovada a lei de permissão do mototáxi no Congresso, se alguma autoridade irresponsável – e as temos as borbotões, por aqui – da cidade de São Paulo adotar o tal sistema de economizar tempo e produzir defuntos, teremos um morticínio mais cruel que todos os ataques de vírus que a humanidade já sofreu.

Motocicleta não rima com nada além de, pura e simplesmente, morte. Devia-se chamar “mortocicleta”, como já chamamos, em São Paulo, os motoboys (entregadores de encomendas que utilizam motos e infernizam o trânsito) de “mortoboys”.

Um comentário:

Ademar Oliveira de Lima disse...

Estive por aqui em visita ao seu blog! Abraços Ademar!!