outubro 28, 2009

DROGAS? QUE TAL LIBERAR JÁ?








Fiquei muitos dias pensando em como abordar o assunto. Sei que ele é cascudo. Sei, também, que há muito preconceito, muito desconhecimento sobre ele. Mas, há, sobretudo, muito sofrimento.

Por isso, desculpem-me se não conseguir aclarar como devia o meu pensamento. Mil desculpas.

Já o abordei algures e alhures, mas, agora, sob o impacto das notícias que abalaram o Rio de Janeiro, nos últimos dias, com a mídia batendo forte na violência da Cidade Maravilhosa, com repercussão internacional e tudo, a coisa se complica.

Quando se aborda o uso de drogas em algum meio de comunicação, há sempre alguém berrando: LIBERA JÁ! Ou seja, há um lobby pela liberação das drogas, um lobby irresponsável, eu acho, porque apenas solta a esmo slogans sem nenhum aprofundamento mais sério do tema.

Mesmo assim, fiquei pensando: sim, vamos liberar as drogas!

Então, surgiram dúvidas, perguntas, empecilhos, questionamentos. Mais uma vez, peço desculpas, se tenho tantas dúvidas. Talvez sejam apenas um meio de aprofundar o assunto, de buscar saídas, de até concordar com a liberação total das drogas. Não sei. Jogo as minhas dúvidas no ar. Se você, que por acaso me ler, tiver alguma resposta, por favor, escreva, para mim ou para as autoridades, para os meios de comunicação, para o Papa, se quiser, mas escreva, fale, grite sua opinião. Quem sabe, assim, a gente poderia começar a pensar seriamente no assunto?

Vamos a algumas de minhas dúvidas:

Liberam-se todas as drogas? Desde maconha até o crack? Desde o crack até a mais recente invenção de algum maluco, com misturas improváveis ou cruzamentos genéticos potencializadores?

Se liberadas, quem vai poder comercializá-las? Onde vão ser vendidas? Por exemplo: só os ex-traficantes ou também o comércio em geral? Vão ser vendidas em shopping centers? Em bancas de jornais? Ou em lugares específicos, controlados, escondidos?

Todo mundo vai poder comprar? Ou só com receita médica? A partir de quantos anos será liberada a compra?

Todo mundo que comprar vai ser obrigado a se declarar consumidor quando, por exemplo, disputar um cargo público ou um emprego no boteco da esquina?

O preço: será tabelado ou valerão as leis do mercado?

Haverá limites de compra pelos consumidores? Ou poderão comprar à vontade, em quaisquer quantidades?

Haverá linha de crédito nos bancos, para consumidores, com juros subsidiados ou com juros mais elevados, por causa do risco maior de que não honrem o compromisso?

Vou ser obrigado, por exemplo, a aceitar que um consumidor de drogas, declarado ou publicamente conhecido, me opere quando precisar ou que o piloto do avião enrole a língua ao nos desejar boa viagem, senão poderei ser acusado de preconceito?

Quando alguém morrer de overdose, quem pagará o enterro? A família ou o Estado que permite que ele se drogue até morrer?

As companhias de seguro poderão emitir apólices de seguro de vida para as famílias dos drogados? E qual vai ser o preço desse seguro?

Quando meu filho, ou meu irmão, ou meu pai chegarem drogados, quase mortos, em casa, completamente sem noção de nada, tenho o direito de chamar uma ambulância pública e interná-los sem seu consentimento? E quem pagará a internação? As empresas de saúde ou o SUS?

O imposto sobre as drogas (já que legalizadas, deverão pagar impostos, certo?) financiará o tratamento de quem deseja parar? Ou ajudará a fazer a felicidade de todos, financiando estradas, moradias, educação etc.?

As empresas serão obrigadas a destinar espaços especiais para os drogados – drogódromos (assim como havia os fumódromos) – para os seus empregados usarem drogas na hora do almoço?

Se o drogado se acidentar durante o trabalho, porque estava drogado, isso será computado como acidente de trabalho ou acidente de droga?

Haverá hospitais especiais para os drogados que desejarem “dar um tempo” ou se tratarem? E quem pagará a conta desses tratamentos? O SUS ou um seguro-droga qualquer a ser criado pela lei?

O fato de o indivíduo usar droga, isso será relevante ou irrelevante, se ele se candidatar a um cargo público?

Poderá haver partidos que aceitem em suas fileiras apenas consumidores de drogas? Ou isso será preconceito?

O estado alterado de consciência de um consumidor de drogas será considerado agravante ou não, quando houver crimes envolvendo tais indivíduos?

E os juízes, também poderão usar drogas? E eu serei obrigado a aceitar a sentença de uma corte onde a maioria de seus componentes de declara consumidora de drogas?

Será criado um termo especial para designar os usuários contumazes de drogas, assim como se diz de um gordo ou aleijado que ele “tem necessidades especiais”?

Enfim, nesse Paraíso que se transformará a Terra, com todo mundo se drogando, ou drogando uns aos outros e sendo drogado, haverá lugar para quem não queira se drogar ou esses terão que se mudar para Vênus ou Marte?




P.S.: Tenho falado do Rio de Janeiro, porque é, hoje, o centro do furacão aqui em Pindorama. Mas sei que há de tudo por aí, do Oiapoque ao Chuí, na terra de Obama ou nas cavernas do Osama...


Um comentário:

Dri Viaro disse...

Oi, passei pra conhecer seu blog, e desejar boa semana.
bjsss


aguardo sua visita :)