maio 03, 2011

NÃO CHORAREI POR TI, OSAMA...






Neste dia 2 de maio de 2011, os Estados Unidos da América, a nação mais poderosa da Terra, atualmente, amanheceu comemorando o assassinato de seu mais temível inimigo: Osama Bin Laden, o terrorista chefe da organização chamada Al-Qaeda.

Milhares de pessoas nas ruas, cantando, dançando e mostrando a bandeira estadunidense.

Não, não chorarei pelo terrorista que comandou a morte de milhares de pessoas pelo mundo afora, inclusive a famosa destruição das Torres Gêmeas de Nova Iorque, em setembro de 2001, no mais audacioso ataque sofrido pela nação que agora dança e canta seu assassínio.

Também não vou cantar, nem dançar, nem comemorar a morte desse homem.

Osama Bin Laden comandou uma orquestra da morte e do terror, que vai continuar tocando sua música fúnebre por muitos e muitos anos, a despeito de tudo.

Porque o ódio está na raiz do pensamento humano, tanto daquele que vinga quanto daquele que é vingado.

Há tanta barbárie nas ações terroristas da Al-Qaeda de Bin Laden ou de quaisquer outras de mesma ideologia quanto há barbárie no seu assassinato puro e simples por tropas estadunidenses altamente treinadas, numa cidade distante do Paquistão. E mais barbárie ainda se manifesta na comemoração das ruas da grande nação, porque, por mais que tenham sofrido na carne os atentados de Bin Laden, comemoraram tão somente um ato, não de justiça, mas de vingança.

O ciclo vicioso está instalado: vingou-se a ação do assassino mais procurado do mundo, mas sua morte será devidamente cobrada por seus seguidores e estes, por sua vez, serão caçados em todos os cantos da Terra. Assim se cumprirá até à exaustão o rito de sangue, barbárie e dor a que o homem dito civilizado, do século XXI, prossegue executando como seus mais remotos ascendentes.

E tudo pontificado e devidamente desculpado pelos deuses de um e outro lado. Porque, enquanto esses deuses – travestidos num só – existirem no pensamento humano, tudo se permite, tudo se justifica.

E o homem – que não é o anjo decaído, mas o animal ainda pouco evoluído – continuará a cultivar a morte, a destruição, o assassínio, a guerra, o genocídio e todas as demais formas de barbárie, porque tem na boca o gosto ancestral de sangue que nenhum verniz de civilização consegue eliminar.

Por isso, não chorarei por Bin Laden, o outro lado da mesma moeda sanguinária dos instintos mais baixos do homem, mas continuarei lamentando sempre a continuidade da barbárie praticada por homens que se dizem civilizados.




(Ilustração: Giger)

Um comentário:

Júlio Machado disse...

Como diz um louco que pouco sabe: Apoiado, professor!
Sobre Bin Laden, uma analogia que traduz a real: "eu sou a mosca que pousou em sua sopa..." (Raul Seixas)
Abraços!