janeiro 15, 2011

TRAGÉDIAS MUNICIPAIS, CULPAS FEDERAIS?

(Até agora, quase seiscentos mortos na serra fluminense)


Somos todos reféns de um bando de incompetentes e politiqueiros chamados prefeitos. São eles os culpados da maioria absoluta das desgraças que acontecem com o povo. E somos míopes para não enxergar que são eles – os prefeitos – responsáveis por nossa vida, desde um simples alvará para um puxadinho até complexos problemas de saúde.

O homem urbano vive na cidade e não no País.

O País, a Nação, a União são conceitos abstratos de macropolítica, de distribuição de renda e dos bens gerais. Mas a administração do dia a dia, os problemas comezinhos que nos afligem são de responsabilidade dos prefeitos. Deles dependem a saúde, a educação, a ocupação do solo urbano, a conservação de ruas e calçadas, o trânsito, a ordenação da vida cotidiana, enfim.

No entanto, dos quase seis mil prefeituras existentes no Brasil, pode-se dizer que possivelmente nem dez por cento tem prefeitos realmente preparados para a administração de uma cidade, seja ela de 10 milhões de habitantes como São Paulo, seja o menor município, com menos de cinco mil pessoas.

Sabem muito bem fazer política os nossos prefeitos. Sabem fazer promessas. Sabem enganar o povo para serem eleitos. Sabem fazer qualquer negócio, aliás, para serem eleitos. Porque, tirando as capitais e as grandes cidades, o emprego de prefeito é uma das melhores sinecuras que existe. Ganha-se bem para não se fazer quase nada.

Os prefeitos de capitais e de algumas poucas grandes cidades ainda têm a mídia em seu encalço. Mas, quem sabe quem é o preito das milhares de cidadezinhas perdidas no mapa, mesmo que sejam estâncias turísticas como Teresópolis, Petrópolis, Nova Friburgo, no estado do Rio de Janeiro?

E, no entanto, são eles – esses prefeitos incompetentes – que permitem a ocupação desordenada de morros, de várzeas de rios, de lugares onde nenhum ser humano devia morar. Claro que não estão sozinhos no crime: contam com a colaboração da própria população que não pensa no risco e constrói em qualquer lugar, confiante em rezas e proteção divina; contam, principalmente, com a ganância e estupidez de grileiros e incorporadores, que vendem terrenos condenados a preço de banana ou, às vezes, nem tão baratos assim, para os incautos e estúpidos, sob a vista grossa dos prefeitos. Que, para garantirem alguns votos a mais, prometem regularização dessas habitações, colocando luz, água e asfalto. Não falei esgoto, porque isso já um luxo e uma preocupação que poucos têm.

E então, uma pequena vila de duas ou três casas dependuradas no morro ou dentro de áreas inundáveis transforma-se em pouco tempo em um povoado com dezenas de habitações precárias, grudadas umas nas outras, construídas por pedreiros improvisados de fim de semana, vizinhos que trabalham e erguem armadilhas por um churrasco e uma garrafa de cerveja.

E tudo sob a vista grossa dos senhores prefeitos.

Quando há algum problema – um pequeno deslizamento ou uma cheia – os moradores pressionam o prefeito. E lá vai ele fazer “obra” contra a chuva: um muro de arrimo ali, uma terraplanagem acolá, uma pequena barragem mais adiante. E todos ficam contentes: votam de novo no “elemento” (ia dizer criminoso, mas relevo por enquanto) ou nos seus apaniguados.

Incauta e estúpida a população que os mantém, a esses prefeitos espertinhos e bonzinhos. “Tocadores de obra”, “políticos trabalhadores”, “bons administradores”. Porque fazem o que o povo quer e não o que povo precisa.

Impedir um loteamento clandestino no alto do morro ou na várzea do rio não dá voto a ninguém. Buscar alternativas para o desespero do povo, que quer casa para morar, dá muito trabalho, exige competência, planejamento, visão de futuro. E isso, esses espertalhões eleitos com o voto dos enganados não têm, porque são preguiçosos, porque são estúpidos, porque não sabem e porque não têm interesse em administrar pensando no bem do povo.

Afinal, para que se preocupar? Uma enchente só ocorre de vez em quando, e o povo se acostuma ou é acostumado a receber, em donativos, a conta do prejuízo; deslizamentos de morro são eventos cuja ocorrência ultrapassa o tempo de um ou, às vezes, de dois mandatos. Quem vier depois que se lasque, para não dizer coisa pior.

E como quem vem depois segue a mesma política porca de deixar tudo como está para ver como é que fica, um dia acontece a desgraça: uma chuva mais forte, um temporal, e centenas de pessoas perdem a vida e seus bens, como está acontecendo neste momento nas serras fluminenses, em cidades como Teresópolis, Petrópolis e Novo Hamburgo.

De quem a culpa? De ninguém, claro. Ou do clima.

Ou, dependendo dos interesses e da visão estreita de uma certa mídia mal intencionada, joga-se a culpa na União, ou, mais precisamente, despejam-se os cadáveres ainda insepultos no colo da presidenta recém-empossada.

É mais fácil, é mais cômodo, é mais conveniente.

Principalmente quando há interesses eleitoreiros muito mais prementes que a constatação pura e simples de que as catástrofes do tipo das que estão ocorrendo no Rio de Janeiro só acontecem por incompetência, estupidez e politicagem rasteira desses nossos prefeitos. De quem somos todos reféns.

Um comentário:

Ademar Oliveira de Lima disse...

Estive por aqui em visita ao seu blog!! Abraços Ademar!