março 09, 2022

ABSURDOS DE UMA GUERRA ABSURDA: RÚSSIA X UCRÂNIA

 

(Al Margen)



Acusam o presidente da Ucrânia de fascista. Não creio que ele seja exatamente um fascista, mas faz o jogo dos fascistas, manipulado, como um títere (sem ironia) por forças muito poderosas, ligadas a interesses estadunidenses.

Essa é uma guerra suja, em que só há bandidos:

1. Putin, que não quer mais mísseis apontados para a Rússia, pela OTAN (essa milícia que vende proteção à Europa, por obra e graça dos EE.UU.);

2. Biden e os presidentes europeus, que nada fizeram para impedir a guerra (uma "diplomacia" de mentirinha, só para "inglês ver")

3. e, finalmente, o idiota que preside a Ucrãnia (sabe que não tem chance de vencer um exército dez vezes mais poderoso do que o dele e ainda assim pede aos ucranianos que resistam com coquetéis molotov - isso, sim, um crime a mais nessa guerra criminosa).

Em vez de mandar o povo para o inútil sacrifício, que buscasse armistício com a Rússia, concordasse com seus termos, evitasse a destruição do seu país e a consequente matança e fuga de seus cidadãos. A história nos tempos atuais é líquida: como saber o que vai acontecer daqui a dois, três anos? A situação mundial pode mudar. A situação interna na Rússia pode mudar. Salvar a Ucrânia, salvar vidas, mesmo à custa de uma aparente humilhação, deveria ser o fim e o escopo de um governo que se diga realmente preocupado com seu povo e não preocupado em posar de super-herói para agradar uma plateia - a Europa e os Estados Unidos - que só esperam uma brecha para assaltar seu país e tornar seu povo "escravo feliz" do mercado predador.

Nessa guerra de equívocos, Zelenski erra e mente. Também mentem os líderes europeus e o presidente dos Estados Unidos. E Putin, do alto de sua arrogância e insensibilidade, mente tanto quanto todos os outros.

A desinformação, principalmente a desinformação histórica; a arrogância de todos em achar que cada um tem razão, quando ninguém a tem; a falta de visão humanitária, que joga no fogo do sacrifício toda uma nação, todo um povo; uma diplomacia cega, surda e que apenas grita desaforos e ameaças contra os “inimigos”, quando sabemos que, para a verdadeira diplomacia, não existem inimigos, mas adversários, com quem se busca o entendimento e não a discórdia; a falta de apetite de todas demais nações do mundo em tentar mediar para valer um conflito que evitasse derramamento de sangue; tudo isso me faz pensar que não há mais líderes confiáveis no mundo, que não há mais na cabeça de nossos políticos algo que é simples e necessário: bom senso.

E o bom senso falta principalmente quando os países da Europa se curvam à chantagem dos Estados Unidos, ao manter esse obsoleto, absurdo, desnecessário e totalmente escandaloso tratado chamado de OTAN / NATO, que não passa de um bando de milicianos com tropas acantonadas em pontos estratégicos, vendendo à Europa uma pseudoproteção contra um inimigo que não existe mais: a União Soviética comunista que, não se sabe bem por quê, foi marcada como destinada a ser o inimigo eterno do “capitalismo”, numa guerra ideológica que só não levou o mundo à terceira guerra porque as forças atômicas de ataque e defesa se mantiveram num equilíbrio de destruição mútua.

Pergunto-me: por que o capitalismo teme as ideias socialistas e comunistas, a ponto de se armar até os dentes para uma guerra que não terá vencedores? E eu respondo: não é exatamente o “capitalismo”, essa entidade abstrata e predadora, que teme o “comunismo”: são os interesses de imensas companhias e oligopólios que não desejam perder o domínio do “mercado” ou dos “mercados”, ou seja, da exploração de bilhões de seres humanos que lhes proporcionam lucros tão estratosféricos, que lhes permitem dominar mentes e corações não só de consumidores emburrecidos pelo consumismo, mas também a mente e os corações de governantes regiamente pagos para defender seus interesses, ou inocentemente a serviço de políticas expansionistas imperialistas dos Estados Unidos da América, esse, sim, o país inimigo de todos os demais, na sua sanha de manter sob controle todos os governos da terra. E, quando não obtêm esse controle de forma pacífica ou convencional, lança mão de todos os artifícios para obter seus intentos, desde as revoluções internas de desestabilização dos governos (as chamadas “revoluções coloridas” incentivadas pelas mídias devidamente azeitadas com milhões de dólares e financiadas por organizações não governamentais a soldo de seus intentos), até a invasão e destruição do país, como já o fizeram diversas vezes (desde 1890 até os dias de hoje, sendo o Iraque a mais recente “obra” de destruição total).

A Ucrânia era a “bola da vez” da sanha estadunidense, com um presidente fraco e devidamente azeitado pela máquina propagandística do capitalismo selvagem, pronto para deitar suas garras em mais um povo e torná-lo “escravo feliz” do consumismo. O passo decisivo seria fazer desse país mais um membro do “privilegiadíssimo” clube da OTAN/NATO, o guarda-chuva protetor de todos os interesses do mercado consumidor na Europa, para onde seriam enviados mais alguns mísseis e tropas de “proteção” contra a “inimiga” Rússia, que deveria se calar ao “determinismo” e à “vontade” do povo ucraniano, devidamente manipulado pela propaganda sutilmente (e, às vezes, escancaradamente) veiculada pela mídia mais uma vez azeitada pelos dólares de um oligarca (ironicamente) russo, a soldo dos interesses estadunidenses. Zelensky, o agora proclamado “super-herói”, é só um “detalhe” emblemático dessa máquina de fazer malucos, para tornar todos os malucos da terra simples robôs consumistas das grandes empresas que detêm quase todo o poder econômico do mundo capitalista.

E por que a Rússia concordaria com mais esse passo engendrado pela criatividade do mundo capitalista? Porque, simplesmente, pensaram os estrategistas, a Rússia também é capitalista e seus interesses econômicos estão devidamente entranhados com os interesses capitalistas do mundo ocidental. No entanto, falharam ao bater de frente com Putin, que não “engoliu” a possibilidade real de que mais um país desentranhado da antiga União Soviética passasse de mão beijada para o “outro lado”, ou seja, se associasse à OTAN/NATO, com a possibilidade de ter bem “sob suas barbas” mais uma bateria de mísseis apontados para seu país, tratado ao mesmo tempo, paradoxalmente, como amigo e inimigo.

Em nenhum momento, os países Europeus cogitaram colocar na mesa de negociações com a Rússia, para evitar a guerra, a dissolução desse tratado absurdo, obsoleto, desnecessário e totalmente escandaloso chamado de OTAN / NATO, que devia ter sido extinto logo que a União Soviética se desmanchou e a Rússia se tornou tão capitalista quanto todos os demais países capitalistas. A Europa continua, portanto, de joelhos, sendo chantageada pelos Estados Unidos, com seus milicianos armados de mísseis e sua propaganda massiva de que existe um “inimigo” a ser combatido, a Rússia.

Conclusão: Putin invade a Ucrânia e desencadeia uma guerra tão absurda, desnecessária e escandalosa quanto a própria OTAN/NATO, que não pode fazer nada, porque esse país ainda não está ligado ao compromisso de “todos por um e um por todos” (na verdade, é todos pelos Estados Unidos). Uma guerra em que, se a primeira vítima é a verdade, como dizem os historiadores, a maior vítima é o povo ucraniano, levado ao matadouro por falsas promessas de uma resistência impossível, com meros coquetéis molotov, diante dos tanques de um dos mais poderosos exércitos da terra.

Pobre povo ucraniano, pobre povo de todos os demais países iludidos pela sanha muito mais destruidora e expansionista dos Estados Unidos, do que dizem que sonha o frio, calculista e insensível Putin, atrás de seus exércitos invasores!


março 01, 2022

NÃO CHOREMOS PELA UCRÂNIA, CHOREMOS PELOS UCRANIANOS





Se você está imbuído do fervor patriótico do povo ucraniano e pelas palavras de incentivo de quase todo o mundo a esse fervor patriótico, por favor, não leia este artigo. Você não vai encontrar, aqui, nenhum louvor a qualquer tipo de patriotismo, a primeira trincheira dos estúpidos e dos adoradores do genocídio.

Então, vamos lá.

Primeiro, quando Putin ameaçou a Ucrânia, nenhum país, nenhum governo, absolutamente ninguém ouviu suas razões. A reação foi sempre de contra ameaça. Se fizer isso, faremos aquilo. Se continuar assim, vai se arrepender. E por aí a fora. Talvez Putin tivesse razão. Talvez Putin não tivesse. Isso não importa. Importava ouvir, conversar, dialogar, buscar soluções, extrapolar a ideia de que se evita uma guerra fazendo guerra, que é a segunda trincheira dos estúpidos, principalmente dos adoradores do genocídio.

Ao contrário de qualquer lógica, os governos e a mídia jogavam, a cada palavra, a cada pronunciamento, mais lenha na fogueira, mais gasolina no incêndio. Talvez um único governo, o da França, tenha tentado ouvir, mas foi a voz solitária. Acho até que todos os demais governos, instigados pelos Estados Unidos, sob o manto da famigerada e belicosa OTAN / NATO, escarneceram de suas tentativas. Se Putin também escarneceu do presidente francês, foi porque percebeu que era realmente a voz que pregava no deserto, para usar a batida metáfora bíblica. Estavam todos imbuídos de seus pressupostos, agarrados à arrogância da ameaça, do falar e gritar mais alto, de que somos os mais fortes, e essa é a terceira trincheira dos estúpidos e dos adoradores do genocídio.

Iniciada a invasão, o que fazem a mídia, os governos europeus e estadunidense e o próprio governo da Ucrânia? Apoiam a resistência entusiasticamente. A mídia, com a repercussão e a cobertura espetaculosa da guerra, como vampiros sedentos de sangue. Os governos europeus e estadunidense com sanções e ameaças contra a Rússia. E mais: com o envio de armas de defesa para a Ucrânia. E mais, ainda: com o incentivo absolutamente insensato do governo ucraniano de que cidadãos comuns, sem preparo militar, resistissem com armas caseiras (e mesmo se fosse com armas sofisticadas, quem saberia usá-las corretamente?) e com coquetéis molotovs a um dos mais poderosos exércitos do mundo. E todos, absolutamente todos, de pessoas comuns a governantes poderosos, de estudantes a pensadores e historiadores famosos, todos a incensar, a encorajar, a enaltecer a resistência do povo ucraniano e a levá-lo ao paroxismo do amor à terra, à pátria. E aqui voltamos à primeira trincheira dos estúpidos adoradores do genocídio que é, como você deve se lembrar, meu caro leitor, o patriotismo.

Porque é de genocídio que estamos falando. Genocídio de um povo, o ucraniano, por um exército poderoso, cujas razões ou não razões para fazer o que está fazendo extrapolam todo e qualquer possibilidade de lógica, porque desencadeada a violência, não há como detê-la, não há como saber como vai terminar, ou melhor, sabemos sim: em hecatombe, em mais uma das inumeráveis carnificinas que os seres humanos cometem contra seres humanos ao longo dessa nossa triste história de guerras, de arrogância estúpida em acreditar que o militarismo possa ser solução de algum problema humano. E essa crença no militarismo, no poder das armas, na entrega de nossas vidas a seres treinados para matar, é talvez a última trincheira da estupidez humana.

Encerrarei minhas diatribes com a seguinte provocação (e que cada um a receba do jeito que quiser):

Se eu fosse o presidente da Ucrânia, não moveria um dedo sequer contra o exército russo, não deixaria que nem cidadãos nem os soldados disparassem um só tiro. Aguardaria os tanques em meu gabinete. E assim que meu país estivesse ocupado, procuraria o Putin e lhe diria: “Senhor Putin, agora que senhor já conseguiu o que queria, vamos conversar. O que o senhor quer para não matar nossos cidadãos e nos deixar em paz?”

Covarde! Poderiam gritar todos os estúpidos adoradores do genocídio. Mas, pelo menos eu teria poupado a vida de meu povo. Porque nenhuma vida vale mais do que qualquer bem material, vale mais do que um pedaço de chão, vale mais do que um país!

fevereiro 22, 2022

PETRÓPOLIS: CATÁSTROFE ANUNCIADA

 

(Petrópolis - antes e depois)


Os meios de comunicação chamam de “tragédia”. Maculam o significado nobre da palavra, termo grego que nos remete às origens do teatro, de cujo âmbito não devia ser retirado para as catástrofes provocadas por forças da natureza e não pela ação do homem contra o homem, nos palcos imemoriais da arte teatral.

Por isso, prefiro a palavra catástrofe ou outras similares, como calamidade, desastre, hecatombe etc. Mas não é o polêmico uso do léxico que eu quero tratar neste texto. Que cada um chame como quiser.

Falemos de Petrópolis, a cidade imperial; a cidade que é tão imperial, que até hoje paga aos descendentes do seu ramo da “família real”, este sim, um polêmico imposto de transação imobiliária, chamado “laudêmio”. E devem estar coçando os dedos os descendentes de Dom Pedro, ao imaginarem que, depois da tempestade que destruiu a cidade, haverá uma quantidade muito grande de petropolitanos decididos a vender seus imóveis, o que deverá aumentar muito os ganhos da “família imperial”.

Feita essa devida provocação, vamos à catástrofe anunciada.

Sabe-se, desde o século XIX, que a bela cidade construída nos altos Serra dos Órgãos está sujeita a chuvas intensas e que seu território acidentado tem centenas de áreas de risco de deslizamento e desabamento. Portanto, o crescimento inevitável do município teria de ser monitorado e controlado de forma rigorosa pelo poder público, em conformidade com as condições do terreno. No entanto, nesses cento e tantos anos, nada se fez para que a urbanização seguisse critérios minimamente lógicos e seguros. Como, aliás, na maioria das cidades brasileiras. Nossos governantes odeiam o futuro; por isso, odeiam planejamento.

Podemos imaginar a seguinte provável história (que deve ter-se repetido em milhares de outros municípios): alguém resolve demarcar uma área, desmatá-la, loteá-la e vendê-la para os desesperados e incautos necessitados de moradia. Naturalmente, um processo “simples” de grilagem, devidamente apoiado ou incentivado por alguma “autoridade” – um prefeito, um vereador, um “coronel’, um juiz de direito, um oficial graduado ou político poderoso. Como o desmatador e loteador vai ganhar seu dinheirinho para enganar os trouxas ao afirmar e jurar e “provar” que o local é seguro e devidamente “regularizado”, também as “autoridades’ competentes ganharão – e bem! – para fechar os olhos e “deixar rolar” as irregularidades, em conluio claro com os devidos órgãos de fiscalização.

Meus amigos e caros leitores, ninguém constrói seu barraco, sua casinha, seu “quarto e cozinha” em área de risco porque “encontrou” aquele lugar para isso: os pobres diabos são levados a comprar o terreno (“baratinho, baratinho”) pelos espertalhões de plantão. Os “doutores” sabichões lucram na venda não só do terreno devidamente demarcado e “limpo”, mas também com o material de construção, com mão de obra, tudo muito “baratinho”, em “suaves” prestações mensais, e tudo, tudo “regularizado” com promessas de escrituras ou com escrituras falsas. E isso é uma bola de neve: de meia dúzia de barracos, logo haverá vinte e trinta e centenas. Uma verdadeira cidade se ergue em poucos anos, com toda a “infraestrutura” possível. E ali há centenas de eleitores, para os quais é preciso acenar, com promessas verdadeiras ou falsas de melhorias, que vão chegando, sim, aos poucos, e a “comunidade” está constituída, é forte, elege e reelege os políticos. E quando há alguma calamidade, lá estão eles, os políticos, prontos a “ajudar, a “prestar solidariedade”, a dizer que a natureza é assim mesmo, que logo vão fazer obras de contenção e obras disso e daquilo. E às vezes fazem, mesmo, obras que dão prestígio, e dão poder e os enriquecem, com os superfaturamentos de sempre. E quase sempre obras poucas e muitas vezes inúteis.

Os anos passam, os eventos climáticos, que antes eram eventuais, se tornam não apenas constantes, mas principalmente mais violentos (os meteorologistas não se cansam de avisar para o tal “aquecimento global”, que a maioria das autoridades prefere ignorar ou desdenhar), até que, um dia, a coisa desanda: uma grande tempestade tropical ou subtropical (seja lá o nome que se lhe dê) provoca uma catástrofe com centenas de mortos. Exatamente como se havia previsto há anos, em documentos arquivados no fundo das secretarias de obras, ignorados e desdenhados por inúmeros gestores.

Então, todos choram e lamentam. Autoridades dão entrevistas. A mídia estende por horas e horas a cobertura do evento, conta os mortos, individualiza os sofrimentos, narra histórias, filma e mostra para o mundo todo a catástrofe, a destruição, as consequências; mobiliza a sociedade para a ajuda aos desabrigados; discute causas e obtém promessas de ajuda das autoridades de plantão. Mas... nem a mídia nem as “autoridades responsáveis” nunca vão atrás dos verdadeiros culpados: os famigerados “grileiros” e toda a corja de canalhas escondidos sob o manto da - muita! - grana que ganharam com a desgraça daqueles milhares de seres humanos, que choram a perda de seus bens, de seus familiares, de sua vida.

E mais: passado o choque do momento, a vida volta ao “normal”, as pessoas tentam reconstruir dos monturos e do fundo da lama e do sofrimento as suas vidas, a mídia esquece, todo mundo esquece. Não os que foram diretamente atingidos até mesmo em sua dignidade pela catástrofe anunciada. Mas, esses, ora, que se virem, que vão chorar na cama, que é lugar quente. Ninguém mais se preocupa com eles, mesmo que continuem brigando por anos a fio com o poder público, mesmo que continuem correndo atrás de seus direitos, de sua dignidade, de sua vida. Que aguardem, depois da reconstrução – se e quando houver –, uma nova catástrofe devidamente anunciada! E novamente chamada de “tragédia”. A tragédia humana que não está nos eventos meteorológicos e naturais, mas na cara de pau de nossos governantes.


janeiro 03, 2022

ENTENDA OS VÍRUS

 


Nestes tempos de pandemia, quando a humanidade sofre mais um ataque mortífero de vírus, dentre muitos em sua história, a desinformação parece ser o apanágio dos ignorantes, dos fundamentalistas religiosos, dos estúpidos por vocação, que negam a ciência e falam e reproduzem absurdos através das redes sociais. Sei que há muita gente despreparada não porque optaram por isso, mas porque não tiveram oportunidade de estudar, numa sociedade extremamente injusta como a nossa. No entanto, vejo e ouço e leio pessoas que têm curso superior, uma boa base de conhecimento, a divulgar informações erradas, ou por ignorância (ninguém pode saber tudo) ou por professar ideologias obscurantistas ou ainda por pura estupidez misturada com preconceitos arraigados, que não nenhum diploma universitário consegue mitigar.

Portanto, não só para os estúpidos negacionistas, mas também para todos os que não têm formação científica, mas que, bem intencionados, pretendem se informar melhor sobre ciência, publico hoje este texto (autoria e fonte ao final):



“Os vírus são um enigma que existe no limiar da vida. Eles não são apenas bactérias pequenas. Bactérias são seres unicelulares, completamente vivas. Cada uma tem um metabolismo, exige alimento, produz dejetos e se reproduz por divisão.

Os vírus não se alimentam nem queimam oxigênio para obter energia. Não participam de nenhum processo que poderia ser considerado metabólico. Não produzem dejetos. Não criam produtos colaterais por acidente ou de propósito. Não fazem sexo nem se reproduzem de forma independente. São menos do que um organismo vivo funcional, mas são mais do que apenas uma coleção inerte de substâncias químicas.

Existem diversas teorias a respeito da origem dos vírus e essas teorias não são mutuamente excludentes. Existem evidências para apoiar cada uma, e é possível que vírus diferentes tenham se desenvolvido de formas diferentes.

Uma visão minoritária sugere que eles se originaram de forma independente como as mais primitivas moléculas capazes de se reproduzir. Se isso fosse verdade, formas mais avançadas de vida poderiam ter evoluído a partir deles.

A maior parte dos virologistas pensa o contrário. Eles creem que os vírus começaram como células vivas mais complexas e evoluíram — ou talvez seja mais preciso dizer involuíram — para organismos mais simples, tais como a família “rickettsia” de patógenos. A rickettsia costumava ser considerada como vírus, mas atualmente já é observada como algo no meio do caminho entre as bactérias e os vírus. Os pesquisadores acreditam que esses organismos chegaram a ter, mas perderam as atividades necessárias para uma vida independente. O bacilo da lepra também parece ter se afastado da complexidade — a capacidade de fazer muitas coisas — rumo à simplicidade, hoje fazendo menos do que antes. Uma terceira teoria defende que os vírus eram antes parte de uma célula, uma organela, mas que se afastaram e começaram a evoluir de forma independente.

Seja qual for a origem, todo vírus tem apenas uma função: se replicar. Mas diferentemente de outras formas de vida (se considerarmos o vírus uma forma de vida), ele não faz isso sozinho. Ele invade células carregadas de energia e então, como um mestre de marionetes alienígena, as subverte, assume o controle e as obriga a produzir milhares, e em alguns casos centenas de milhares, de novos vírus. Esse poder reside em sua genética.

Na maior parte das formas de vida, os genes estão espalhados pelo comprimento de uma molécula de DNA (ácido desoxirribonucleico) em formato de um filamento. Mas muitos vírus — inclusive o influenza, o HIV e o coronavirus que provoca SARS (síndrome respiratória aguda severa) — codificam seus genes no RNA (ácido ribonucleico), uma molécula mais simples, mas menos estável.

Os genes lembram a estrutura de um software. Do mesmo modo que uma sequência de bits em um código diz ao computador o que fazer — processar um editor de texto, um jogo de computador ou fazer uma busca na internet — os genes dizem para as células o que fazer.

O código de computador é uma linguagem binária, de duas letras. Já o genético emprega uma linguagem com quatro letras, cada uma representando as substâncias químicas adenina, guanina, citosina e timidina (às vezes a uracila entra no lugar da timidina).

O DNA e o RNA são sequências dessas substâncias, bem longas. Às vezes, essas letras não formam palavras nem frases que façam algum sentido: 97% do DNA humano não contêm genes. É chamado de DNA “sem sentido” ou “lixo”, cujas funções ainda são desconhecidas.

Quando as letras compõem palavras e frases que fazem sentido, no entanto, por definição essa sequência é um gene.

Quando um gene em uma célula é ativado, ele ordena que a célula produza determinadas proteínas que, por sua vez, podem ser utilizadas como tijolos na construção de tecidos. (As proteínas que consumimos via alimentos de um modo geral têm essa função.) Mas as proteínas também desempenham um papel crucial na maior parte das reações químicas dentro do corpo, além de transportar mensagens para iniciar ou interromper diferentes processos. A adrenalina, por exemplo, é um hormônio, mas também é uma proteína. Ela acelera o ritmo cardíaco para criar o que chamamos de reação de luta ou fuga.

Quando um vírus consegue invadir uma célula, ele insere seus próprios genes na sequência humana e a carga genética viral passa a assumir o controle dos genes celulares. O mecanismo interno da célula começa a produzir aquilo que os genes virais exigem em vez daquilo que ela precisaria para si mesma.

Desse modo, a célula passa a produzir centenas de milhares de proteínas virais que, unindo-se a cópias do genoma viral, formam novos vírus. Uma vez prontos, eles são liberados. Nesse processo, quase sempre a célula hospedeira morre, em geral quando novas partículas virais irrompem a superfície celular para invadir outras células.

Embora os vírus executem apenas uma tarefa, eles não são simples. Nem primitivos. Altamente evoluídos, elegantes em seu foco, mais eficientes no que fazem do que qualquer ser inteiramente vivo, eles se tornaram organismos infecciosos quase perfeitos. E o vírus influenza está entre os mais perfeitos desses organismos perfeitos.”



JOHN M. BARRY, in A GRANDE GRIPE,
 
A HISTÓRIA DA GRIPE ESPANHOLA, 

A PANDEMIA MAIS MORTAL DE TODOS OS TEMPOS.

dezembro 01, 2021

QUANDO A BREGUICE É ESTRUTURAL (SEGUNDA PARTE)


 

Tomamos emprestado o termo “estrutural”, ou seja, aquilo que é imanente a uma estrutura, para falar da breguice do nosso excelentíssimo e breguíssimo presidente da república, se é que ele merece esse título. A caneta bic com que assina os documentos da presidência é um desses símbolos mais do que bregas desse ex-capitão, mitológico por suas asneiras.

Agora, falemos de outras breguices. Por exemplo, as camisas de times de futebol com que ele frequentemente se apresenta em suas lives. Um torcedor vestir a camisa de seu clube é normal. Indica seu amor ou sua preferência por um determinado grupo de jogadores. Torcer, nesse caso, e mostrar a todos por qual clube se torce não ocasiona nenhum problema, a não ser que o cidadão faça isso no meio da torcida adversária. No entanto, uma autoridade que se preza, principalmente um político que ocupa um alto cargo, não pode se apresentar para comunicados oficiais ou oficiosos para a Nação vestido com camisetas mal ajambradas de clube de futebol. Isso é de um mau gosto que vai muito além do respeito às convenções do cargo, principalmente quando esse cargo é o da presidência da república. E é brega, muito, muito brega.

Aliás, usar lives de redes sociais para comentar assuntos da presidência, como se isso fosse o suprassumo da modernidade, também é muito, muito brega, quando se trata do mais alto cargo da Nação. Um presidente da república tem a seu dispor inúmeros meios de comunicação, meios oficiais e até mesmo oficiosos, mas perder tempo para se sentar diante de uma mesa e, com um intérprete de libras meio perdido ao lado, para falar bobagens e comentar assuntos que não dizem respeito à presidência e que, em geral, não interessam não povo, a não ser a seu reduzido redil eleitoral, é brega, muito brega.

E por falar em redil, lembramos o famigerado “cercadinho” onde ficam as duas dúzias de aduladores do presidente, quando, toda manhã, a eles se dirige o tal indivíduo, vestido com seus ternos que parecem comprados em alguma feira livre de alguma cidade satélite de Brasília – o que é brega, muito brega. Pois é através desses aduladores que mugem por ali, no tal cercadinho, que a breguíssima excelência passa os recados que brotam de sua “inteligência privilegiada”, para dizer, por exemplo, que “tem que tomar cloroquina contra a covid”, ou que “não vai tomar vacina” e que “a vachina ninguém sabe se funciona”, ou ainda ofender estados com quem o Brasil mantém negócios de milhões de dólares, ou falar outras bobagens que nem dezenas de páginas seriam suficientes para registrar. Tudo isso é brega, muito brega, além de ser estúpido. Quando se tem à disposição uma mídia interessada em tudo quanto diz um presidente da república, falar essas asneiras para as duas dúzias de seguidores num “cercadinho” ao lado do palácio é uma das mais estúpidas breguices que ele comete. Aliás, brigar com repórteres e jornalistas e não responder a questionamentos desse ou daquele órgão da mídia, porque fazem algum tipo de crítica ou de oposição a sua excelência, é também algo muito, muito brega, além de ser antirrepublicano, além de ser antidemocrático.

Também são breguices incomensuráveis:

  •        fazer turismo na Europa, a pretexto de participar de alguma reunião de líderes mundiais, já que não é recebido por nenhum chefe de estado;
  •        receber homenagem de uma cidade do interior da Itália, só porque seus antepassados de lá saíram há dezenas e dezenas de anos;
  •        hospedar-se em hotéis de Dubai que cobram diárias astronômicas, para conversar com sheiks do petróleo que estão cagando e andando para ele;
  •        promover “motociatas” com seguidores, pelas capitais e cidades do país e, pior, todos eles sem nenhuma proteção de máscaras contra a covid;
  •        permitir que a primeira-dama compareça a uma festa no palácio vestida de branca de neve (?);
  •        não se vacinar contra o vírus da covid e, pior, mostrar ao mundo e a todos os líderes que não o fez, contrariando todas as recomendações médicas do mundo inteiro;
  •        fazer propaganda, até diante das emas do jardim do palácio, de remédios não recomendados contra a covid, e pior: que produzem efeitos colaterais perigosos, sendo que alguns só servem mesmo para matar carrapato de gado;
  •        tentar interferir nas investigações da Polícia Federal, para proteger seus filhos das falcatruas que eles cometeram;
  •        divulgar ou permitir que seus seguidores divulguem notícias falsas nas redes sociais;
  •        ter como guru um astrólogo decadente, que se passa por filósofo, e que acredita até mesmo que a terra é plana;
  •        falar um monte de palavrões impublicáveis durante reuniões ministeriais;

  •        etc. etc. etc.

Como se pode ver, a breguice desse governo não tem paralelo na história. Nenhum outro presidente se mostrou tão estúpido, tão despreparado para governar. Por isso, o país está mergulhado num poço profundo, do qual só conseguiremos sair a médio prazo, depois de um ou dois anos de um novo governo que não seja tão estúpido e irresponsável quanto este. O que eu temo é que ele, para tentar se reeleger – o que não conseguirá! – quebre ainda mais o país, tornando-o ingovernável por décadas.

novembro 28, 2021

QUANDO A BREGUICE É ESTRUTURAL

  


Dizemos que algo é estrutural, quando está arraigada numa estrutura, numa sociedade, por exemplo. Mas, posso tomar esprestado esse termo para dizer que há coisas que estão estruturalmente arraigadas num indivíduo. A breguice, por exemplo. Que é irmã gêmea da estupidez, da falta de cultura, de conhecimentos mínimos de ciências e de humanidades; da falta de respeito para com a sociedade em que vive.

Vamos dar nome ao boi, ou melhor, à besta: estou falando do atual presidente da república desse pobre (em todos os sentidos) país cujo povo, ainda mais pobre (agora no sentido de miserabilidade), o elegeu: Jair Messias Bolsonaro.

Sua breguice estrutural começa com o fato de que, como militar expulso do exército, por insubordinação, continuou militar por mais de trinta anos. O exército chutou sua bunda suja, mas ele não o tirou de dentro de si, numa espécie de fervor e amor que têm os prisioneiros que enlouquecem por seus carcereiros ou por seus torturadores (aliás, ele parece adorar torturadores e déspotas). Depois, como político, elegeu-se deputado e, por quase trinta anos, frequentou o fundão mais profundo do centrão do Congresso, onde nunca se notabilizou por sequer uma lei aprovada, um discurso elogiado. Ali, enriqueceu através da mais nobre e brega atividade congressual, juntamente com seus filhos: a famosa “rachadinha”, ou seja, surrupiando parte dos salários de seus funcionários de gabinete. Um crime que deixa poucos rastros, já que os contratados raramente denunciam, porque temem perder a esmola que lhes sobra ou temem o poder do parlamentar, já que a corda sempre arrebenta pelo lado mais fraco. Suas mais destacadas atuações parlamentares consistiram em afirmar para uma colega que não a estupraria porque era muito feia e por levar uma cusparada na cara, de outro deputado a quem ofendera, por ser homossexual. Suas posições ideológicas, aliás, não passam dessa breguice estúpida de preconceitos, homofobia, misoginia e defesa do uso de armas por todos os cidadãos, além de uma religiosidade ainda mais brega e absurda, já que “ama” o estado de Israel, mas se diz cristão, num fundamentalismo que nem ele mesmo sabe que tem, ou sequer saiba o que seja.

Inaugurou seu governo, assinando medidas, leis, decretos etc. com uma caneta bic. E pior: fazendo questão de mostrar que usava tal tipo de instrumento de escrita, como se isso fosse o suprassumo de um “populismo” carunchado que ele também não sabe bem o que é. Nada mais brega! Por mais que os atos cerimoniais do poder sejam muitas vezes de uma grande breguice, há no entanto algo de simbólico nesses atos. Pode-se, por exemplo, tecer mil críticas à chamada lei áurea, que libertou os escravizados sem lhes dar qualquer tipo de proteção ou de perspectiva de vida, mas imaginem a princesa Isabel assinando essa lei com uma caneta que não fosse de ouro. Não seria a lei áurea! Portanto, quando o idiota que está no exercício da presidência assina atos de governo com uma caneta vagabunda, ele está indicando claramente que seu governo é um governo vagabundo e brega, que não tem respeito pelo próprio cargo, assim como não tem respeito pelo povo que ele governa. E foi isso que ele sinalizou desde o início: que seria um governo brega, que seria um governo vagabundo.

Depois de mais de 600 mil mortos pela pandemia, sem que esse governo vagabundo tivesse feito o seu dever de agir com competência, para comprar vacinas, de incentivar o povo a se vacinar, de assumir a liderança no combate à covid-19, não resta mais nenhuma dúvida sobre o quanto de estupidez asinina cabe na cabeça de tal indivíduo. Aquilo que começou como um ato de breguice estrutural se transformou em atos não só de incompetência, mas também de genocídio, já que se pode imputar a esse canalha a morte de centenas de milhares de brasileiros, vidas que poderiam ter sido poupadas, se medidas preventivas tivessem sido tomadas a seu tempo e de maneira vigorosa.

E estamos falando apenas de um dos muitos aspectos absurdos de seu desgoverno, a saúde pública. Ainda há que se falar em: desmonte da educação, leniência para com o desmatamento e para com as atividades de garimpo, desprezo à pesquisa científica, descontrole da venda de armas, aumento das tachas de homicídio, feminicídio e de chacinas pelas polícias militares, falta de medidas para melhoria do saneamento básico das cidades, polícia externa subserviente a interesses escusos etc. etc. etc. Enfim, a lista de problemas causados por ser escroto e estúpido é longa. O fundo do poço tem um alçapão e por ele estamos despencando num abismo, do qual será complicado e demorado sair.

novembro 22, 2021

COLABORACIONISTAS

O TEXTO ABAIXO REFLETE O QUE EU PENSO, POR ISSO AÍ ESTÁ PARA A DEGUSTAÇÃO DOS LEITORES DESTE BLOG, ASSIM COMO UMA FORMA DE MANTÊ-LO VIVO NA INTERNET, MUITO ALÉM DAS REDES SOCIAIS, NO CASO, DO FACEBOOK, DE ONDE O RETIREI.



Ao final da Segunda Guerra, com o avanço das tropas aliadas, Paris foi libertada. Explosão de alegria, comemoração e, como seria mais do que previsível, com muitos «acertos de contas» com os franceses que colaboraram com o exército de ocupação. E não foram poucos. Sob argumentos diversos muitos franceses seguiram suas vidas quase que normalmente apesar de toda a destruição civilizacional que os nazistas impunham. Não foram poucas as fracesas que, alegremente, namoraram soldados alemães e se deitaram com oficiais nazistas. Muitos comerciantes enriqueceram como fornecedores dos inimigos, muitos funcionários públicos, principalmente no judiciário, progrediram em suas carreiras por fazer o que deles esperavam os fascistas.

Libertos do fascismo alemão milhares de «colabôs» foram expostos à execração pública, e vários deles foram forçados a humilhantes desfiles pelas ruas em centenas de cidades francesas, cabeças raspadas, mulambentos.

Viveremos algo semelhante no Brasil quanto terminar a ocupação bolsonarista dos espaços públicos e institucionais?

Pensando sobre isso hoje topei com o texto do Márcio Sotelo Felippe sobre as similitudes entre a França ocupada pelos nazistas e o Brasil ocupado pela burrice, pela crueldade e pelo mau-caratismo bolsonarista.



Colaboracionistas


"Em um artigo publicado em 1944, A república do silêncio, Sartre escreveu que os franceses nunca foram tão livres quanto no tempo da ocupação alemã. Um chocante e brilhante paradoxo que só a grande Filosofia, como exercício de pensar fora do senso comum, é capaz de produzir. Por que os franceses eram livres se todos os direitos haviam sido aniquilados pelos alemães e não havia qualquer liberdade de expressão? Como se podia ser livre sob a cerrada opressão do invasor que fiscalizava os gestos mais triviais do cotidiano? Porque, dizia Sartre, cada gesto era um compromisso. A resistência significava uma escolha e, pois, um exercício de liberdade. Significava não renunciar à construção de sua própria existência quando os invasores queriam moldá-la, reduzindo-a a objeto passivo e sem forma.

Em linguagem retórica e poética Rosa de Luxemburgo disse algo semelhante: quem não se movimenta não percebe as correntes que o aprisionam.

Sartre era existencialista: a existência precede a essência. Isto significa que não há algo anterior à existência que impeça um ser humano de tomar livremente as decisões que construirão o seu futuro. Isto dá ao humano a plena imputabilidade pelos seus atos. O que ele faz da sua existência é culpa ou mérito exclusivamente seu. O que ela é hoje resulta de decisões que tomou no passado, e o que será resultará das decisões que toma no presente.

A experiência francesa durante a ocupação alemã guarda certa similitude com o Brasil de hoje. Na França parte da sociedade (muito maior do que os franceses gostam de admitir) foi complacente ou colaborou com o invasor que massacrava seu povo e aniquilava os mais elementares direitos dos franceses. Hoje, parte da sociedade brasileira assiste inerte, é complacente, apoia ou apoiou usurpadores que vão reduzindo a pó o pouco de direitos e garantias de um povo já miserável.

Na França colaborava-se por ser fascista ou filofascista. Por egoísmo social. Por ressentimento. Por ódio de classe. Para pequenas vinganças privadas, para atingir um inimigo pessoal. Colaborava-se por ausência de qualquer sentimento de solidariedade social. A colaboração com o invasor desvelava a mais baixa extração moral. Quanto a nós, tomo como paradigma uma cena do cotidiano que presenciei dia desses. Duas mulheres ao meu lado conversavam. Uma disse que seu filho de 13 anos era fã do Bolsonaro. A outra, algo espantada, faz uma crítica sutil, perguntando se ela não conversava com o filho sobre política. A resposta: “acho bonito que meu filho seja politizado nessa idade”. Com isto, quis dizer que não importava de que modo seu filho estava precocemente se politizando.

Pode-se razoavelmente supor que ela, mulher, ignore que Bolsonaro disse que há mulheres que merecem ser estupradas? Que saudou, diante de todo país, em rede nacional de televisão, o mais célebre torturador da ditadura militar? Que declarou que prefere o filho morto se ele for homossexual? Como ignorar isso tudo é altamente improvável, porque seria supor que tal mulher vive em uma bolha impenetrável em plena era das redes sociais, podemos concluir, com Sartre, que escolheu o sórdido para si e para seu filho. O que resultará dessa escolha não poderá ser imputado a Deus, ao destino, aos fatos da natureza ou a qualquer fórmula vaga e estúpida do tipo “a vida é assim”, mas a ela mesma e a seus pares brancos de classe média que tem atitudes semelhantes.

Do mesmo modo como a parcela colaboracionista da sociedade francesa escolheu a opressão do invasor estrangeiro, parcela da sociedade brasileira escolheu o retrocesso, o obscurantismo e a selvageria.

Foi em massa às ruas em nome do combate à corrupção apoiando um processo político liderado por notórios corruptos.

Regozija-se com o câncer e com o AVC do adversário politico, demonstrando completa ausência de qualquer traço de fraternidade e respeito ao próximo.

Suas agruras e dificuldades econômicas e sociais transformam-se em ódio justamente contra os excluídos e em apoio às ricas oligarquias que controlam a vida política do país (das quais julgam-se espelhos), a fórmula clássica do fascismo.

Permanece indiferente, omissa ou dá franco apoio ao aniquilamento de direitos, ao fim, na prática, da aposentadoria para milhões de brasileiros, à eliminação dos direitos trabalhistas, à entrega do patrimônio nacional a grandes empresas estrangeiras.

Seu ódio transforma em esgoto as redes sociais.

Não há como prever o que acontecerá a esta sociedade. Uma convulsão social poderá desalojar os usurpadores do poder, ou poderemos seguir para o cadafalso como povo. A História sempre é prenhe de surpresas. O que é certo, no entanto, tomando a frase de Sartre, é que somente poderão dizer no futuro que foram livres, no Brasil pós-golpe de 2016, os que agora estão se comprometendo e resistindo. É uma trágica liberdade de tempos sombrios, mas se nos foi dado viver neste tempo, que vivamos com a dignidade que somente os seres livres podem ostentar.

Hoje são livres os que resistem.""

Por Marcio Sotelo Felippe (pós-graduado em Filosofia e Teoria Geral do Direito pela Universidade de São Paulo. Procurador do Estado, exerceu o cargo de Procurador-Geral do Estado de 1995 a 2000. Membro da Comissão da Verdade da OAB Federal.)

https://www.facebook.com/search/top?q=carlos%20emilio%20faraco

outubro 14, 2021

VOCÊ RECONHECE ESSE NEGRO?




Tramita no Congresso Nacional um projeto de lei que visa a dar mais segurança jurídica ao reconhecimento de suspeitos de algum crime por foto ou, mesmo, por comparação do suspeito com outras pessoas.

Não posso julgar se o projeto é bom ou ruim, porque, muitas vezes, as boas intenções de uma lei esbarram na péssima redação dessa lei, deixando verdadeiras armadilhas jurídicas de que se aproveitam os advogados, para condenar ou absolver seus clientes.

No entanto, é importante que se dê menos peso ao reconhecimento facial por meio de fotos ou de apresentação de suspeitos para comparação, principalmente quando se está diante de indivíduos pretos ou pardos.

Isso, não só por causa da dificuldade inerente a esse reconhecimento, mas principalmente porque muitas pessoas “brancas” não têm olhos para ver corretamente as feições negras. O racismo histórico de nossa sociedade invisibilizou a população negra. O branco não olha realmente para o negro, apenas percebe sua cor, por isso não sabe reconhecer seus traços. Os olhos “brancos” não distinguem sutilezas nem mesmo de coloração da pele: há pretos mais pretos e pretos mais claros, uma vasta paleta de cores.

Também os traços de rostos negros revelam milhares e milhares de detalhes diferentes, assim como todos os humanos, mas os humanos brancos apenas veem “o negro”, não o indivíduo de cor negra, um ser humano como outro qualquer, reconhecível por suas características idiossincráticas. Para o humano “branco”, o humano negro é só uma massa uniforme e indistinguível de caracteres, como se todos fossem quase uma única pessoa, como se todo negro fosse igual ao outro.

É claro que essa minha opinião de que o “branco” não sabe reconhecer sutilezas das feições negras é uma generalização, para efeito de desenvolver um raciocínio de que há ainda muito a se fazer em termos de combate ao racismo em nossa sociedade e, portanto, não quero dizer com isso que todo branco seja racista ou que todos os brancos não tenham “olhos de ver” e reconhecer os pretos e pardos.

Feito esse esclarecimento, concluo dizendo ser de grande importância um projeto que realmente dê mais segurança ao processo de arrolar provas de um crime. E, principalmente, que as autoridades policiais e jurídicas passem a ver com muita desconfiança e com extremo cuidado os testemunhos baseados em reconhecimento facial, principalmente de suspeitos de cor negra. Nossas prisões estão abarrotadas de pessoas pretas inocentes reconhecidas mal e porcamente por testemunhas brancas, cujos olhos, obscurecidos pelo maldito racismo, não conseguem perceber diferenças e características absurdamente diferentes de uma pessoa para outra, quando se trata de pretensos suspeitos pretos ou, até mesmo, pardos.

outubro 03, 2021

NÃO LHES BASTA SER ANTICOMUNISTAS: SÃO TAMBÉM FASCISTAS

 



Os comunistas da década de 30 do século passado protagonizaram a oposição mais feroz ao estado novo de Getúlio Vargas, conforme escrevi no texto anterior - A CONSTRUÇÃO DE UMA MENTIRA: O COMUNISMO NO BRASIL – replicando aqui as escaramuças entre eles e o fascismo que ocorriam na Europa.

Portanto, os fascistas tinham todo o motivo do mundo para odiar os comunistas e vice-versa.

Passados todos esses anos, sabemos que nunca houve regime comunista no Brasil; que a famosa revolta vermelha de 1935 não passou de um traque, devidamente sufocado pelas tropas fascistas de Vargas; que nunca houve e não há qualquer possibilidade de o Brasil se tornar comunista; que essa desculpa esfarrapada – usada também pelos generais carniceiros do golpe de 1964 – já devia estar devidamente sepultada como uma das grandes mentiras das tantas que se contam sobre nossa história.

No entanto, ressuscitam o “perigo vermelho”, com bobagens como “o Brasil nunca será comunista”, “vá para Cuba”, “aqui não é a Venezuela” etc., num verdadeiro atentado aos fatos, à realidade, à História (com H maiúsculo), que esses idiotas não conhecem e tripudiam sobre ela, já que são todos ignorantes que usam sua insipiência como os homens das cavernas deviam usar seus porretes para abater a caça.

Quem são eles?

São os seguidores do atual presidente da república, os trogloditas de hoje a ressuscitar slogans de ontem, para extravasar seu ódio ao povo, como se fossem todos eles “nobres” brancos e pertencentes às altas elites econômicas, e não pobres idiotizados por um “mito” analfabeto, grosseiro, assassino e genocida.

Na sua “santa” ignorância, não contentes de ressuscitar o anticomunismo, flertam abertamente com o fascismo, defendendo bandeiras (não as chamo nem de ideias) muito semelhantes às defendidas por Mussolini e Hitler:

· um estado miliciano, com o povo armado até os dentes: os seguidos decretos do inominável que, até mesmo contrariando leis existentes, tentam facilitar a venda de armas, ironizando os que preferem comprar feijão/comida a comprar armas; a repetição de gestos com as mãos imitando armas, para se identificarem;

· a destruição da cultura e das tradições: o ódio do atual governo a tudo que se refira à cultura e à educação, colocando no comando dessas duas áreas indivíduos totalmente despreparados para os cargos, mas que se alinham com os preceitos de manter o povo na ignorância;

· o racismo estrutural, para manter invisível a população negra, de preferência em guetos, nas periferias e nas favelas, longe das escolas e faculdades e o índio, visto como ameaça a seus interesses econômicos, o que os leva a defender grileiros, madeireiros e garimpeiros que destroem a floresta e o meio ambiente, sem respeitar as terras indígenas;

· a defesa da família tradicional, com toda a carga de ódio a homossexuais e a qualquer desvio do que eles definem como moral, uma moral que tem origem na estupidez de religiões fundamentalistas que se dizem fiscais do corpo alheio, enquanto enchem seus cofres com a exploração da fé do povo;

· a misoginia, que coloca a mulher como dependente e até escrava do homem, seu senhor e dono, o que incentiva o aumento dos crimes de feminicídio;

· o nacionalismo fanático, com o culto a símbolos como a bandeira e as cores nacionais, para ocultar seu entreguismo tosco e sua obediência cega a um falso líder que nada tem para lhes oferecer, senão palavras vazias de ódio, de incompetência e de destruição das políticas voltadas para recuperação do Estado e para a melhoria das condições sociais da população;

· o negacionismo, que é a excrescência maior de sua estupidez, a fazer campanhas contra a ciência; a defender a “terra plana” (muitos nazistas acreditavam na teoria da “terra oca”); a fazer campanhas contra a vacinação, o que pode levar nosso país a ressuscitar doenças endêmicas que pareciam erradicadas; a não acreditar nos alertas dos cientistas sobre o aquecimento global;

· o totalitarismo, com a defesa de ideias antidemocráticas, principalmente dos ditadores assassinos do regime militar: além de algum manual do exército, o atual presidente parece que leu (se é que leu!) apenas mais um livro em toda a sua vida: a biografia de um dos mais tenebrosos torturadores da época da ditadura de 64; e seus seguidores vivem defendendo o fechamento do Congresso e do Supremo Tribunal Federal e a prisão de seus membros;

· divulgação de mentiras através das mídias sociais, utilizando a velha e desgastada máxima nazista de que uma “mentira mil vezes repetida torna-se verdade”, contribuindo ainda mais para o estado de ignorância do povo etc. etc.

Enfim, não lhes basta ser anticomunistas: precisam tentar impor e divulgar sua estupidez asinina através da defesa de bandeiras e ideais fascistas, como se todo o povo fosse ignorante como eles. Para isso, pregam o ódio, a dissenção e até a morte dos opositores, tal como fazia o estado novo getulista, que perseguiu, prendeu e matou muitos cidadãos, modelo copiado e levado ao extremo pelos ditadores militares de 1964.

Confundem direito de opinião, assegurada constitucionalmente, com o direito de propagar ideias que podem levar milhares de pessoas a evitar a vacinação contra a covid-19, a não se tratar e a confiar em drogas condenadas pela comunidade científica internacional, contribuindo para o aumento exponencial das mortes, durante a pandemia que assola o mundo e, especialmente, o Brasil, por incompetência desse governo negacionista que eles defendem.

Que a História não se repita numa trágica farsa de consequências inimagináveis e que os verdadeiros cidadãos deste País possam dar a esses facínoras, o mais rápido possível, uma resposta à altura, na defesa do Estado de Direito e de todas as Liberdades duramente conquistadas a partir da Constituição de 1998.


setembro 30, 2021

A CONSTRUÇÃO DE UMA MENTIRA: O COMUNISMO NO BRASIL

 


Sempre me incomodou essa estúpida ideia que o imbecil do atual presidente e seus seguidores divulgam com a boca cheia: de que ele livrou o Brasil do comunismo. E parece que o comunismo é o inimigo a ser combatido, como se estivessem os seguidores dessa ideologia política de armas em punho a aguardar atrás de cada árvore, de cada porta, de cada morro, para tomar de assalto o poder e matar todo mundo.

Fui em busca dos motivos por que se incutiu na mente das pessoas esse medo pânico de algo que não existe e nunca existiu. Uma pesquisa quase inglória, já que nem sabia bem por onde começar a procurar. Então, quase por acaso, encontrei o trabalho de dissertação de Felipe Menezes Pinto - O VERMELHO E O NEGRO: Intolerância, Construção da Identidade Nacional e Práticas Educativas durante o Estado Novo (1937 – 1945), de 2011, apresentado ao Programa de Pós-Graduação em História da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal de Minas Gerais, como requisito parcial para obtenção do título de Mestre, tendo como orientadora a Professora Dra. Regina Helena Alves da Silva.

Nesse trabalho, o autor disseca a ideologia implantada por Getúlio Vargas nas escolas do País, tendo como principais eixos a educação moral e cívica, como o culto a valores e símbolos nacionais, principalmente o culto à bandeira nacional; a invisibilização da população negra, considerada como indesejável, num racismo sutil e deliberadamente construído para levar ao “embranquecimento” da nação e, por último, a intolerância aos vermelhos, considerados como inimigos do povo e do Brasil.

Percebe-se claramente um propósito nesses três eixos que eram desenvolvidos através dos livros e das instruções pedagógicas do Ministério da Educação: formar uma geração extremadamente nacionalista, anticomunista e racista. Não é necessário dizer que os objetivos foram obtidos com bastante sucesso: e somos nós os filhos, netos e bisnetos dessa geração. Fomos todos nós que aqui vivemos hoje criados de forma direta ou indireta por avós e pais nacionalistas (de um nacionalismo utópico e exacerbado, que acredita que o “gigante adormecido” precisa ser acordado, para a felicidade de todos – mote que aparece até hoje em manifestações fascistas – o que foi bastante explorado pela ditadura militar, a partir de 1964), racistas (de um racismo estrutural, cujos males ainda sentem na pele os negros e pardos, relegados quase sempre às favelas – as modernas senzalas - e à marginalização social, escolar e econômica) e anticomunistas.

O anticomunismo tem seu nascedouro nos anos 20 do século passado, após a revolução russa, cujo sentido e objetivos nunca foram bem compreendidos pelo Ocidente, principalmente quando a Rússia se transformou, sob o domínio de Stálin, de um país medieval em uma nação poderosa, embora à custa de muitas vidas e, infelizmente, também da atroz perseguição desse líder a seus opositores. A sombra de Stalin e, por extensão, do comunismo, assombrou a Europa e os Estados Unidos, por razões que não nos cabe discutir aqui, principalmente razões políticas e econômicas. A chamada “guerra fria”, estabelecida entre as duas potências que emergiram da segunda grande guerra – Estados Unidos e União Soviética – só fez agravar o medo ocidental do comunismo, visto como ameaça a todos, embora só ameace mesmo o capitalismo e os capitalistas, ciosos de seus negócios e temerosos de perder suas vastas propriedades.

No Brasil, criou-se o mito da “intentona” comunista, um golpe que parece sair das sombras de um poderio que os comunistas nunca tiveram. O interessante é que a Aliança Nacional Libertadora, fundada em 1935 por Luís Carlos Prestes, tinha por principal intenção refletir no Brasil o que acontecia na Europa, os embates violentos entre comunistas e fascistas, ou seja, tentar derrubar – sim, derrubar! – o governo fascista de Getúlio Vargas. Pretendiam, nessa empreitada, contar com o apoio dos operários, mas isolados em Natal e Recife, foram derrotados e isso serviu de pretexto para a decretação do Estado Novo, principalmente com a divulgação de um falso Plano Cohen e sua ambição de tornar o Brasil um país comunista.

Portanto, o anticomunismo brasileiro nasce de um imenso engano – a força dos comunistas –, de uma falsidade histórica (uma fake News) – o plano Cohen – e de uma verdade – a luta contra o fascismo. Se o fascismo getulista se revelou uma nuvem negra que passou e se foi, embalado por interesses políticos e econômicos e pela estratégia de atração dos Estados Unidos, ao afundar navios brasileiros na nossa costa e atribuir essa ação à Alemanha (um fato que não se comprovou totalmente, mas que faz parte do mística da adesão de Vargas às forças aliadas), o anticomunismo permaneceu, implantado desde os primeiros anos do governo de Getúlio, através de um processo educacional bastante eficiente.

Para se ter ideia do que foi esse processo de implantação da mentalidade anticomunista em nossos jovens, veja esse texto de uma obra publicada em 1938: “No Brasil, em qualquer recanto desta grande e hospitaleira terra, terá de predominar o nosso sangue; terá de imperar a nossa língua portuguesa-brasileira, ainda que, para isso, tenhamos que amordaçar algumas bocas; terá de prevalecer a nossa história, nem que tenhamos de fuzilar todos os bolchevistas do mundo [...]” (TABORDA, Radagasio. Crestomatia cívica: uma só pátria, uma só bandeira!. 1. ed. Porto Alegre: Globo, 1938. Acervo Memória Infantil da Biblioteca Pública Estadual Luiz de Bessa), conforme a tese do professor Felipe Menezes Pinto, citada acima.

E assim, todo material didático destinado às nossas escolas estava eivado de citações diretas ou indiretas que incentivavam o medo e o ódio ao comunismo. Isso durante todo o chamado “estado novo” e, com certeza, de forma mais sutil após esse período, mas sempre a pregação do anticomunismo permaneceu mesmo durante os breves períodos democráticos e foi incrementado às mentes das crianças e dos jovens a partir do golpe de 1964. Aliás, a desculpa, mais uma vez esfarrapada para a ditadura militar, foi o velho refrão do “perigo vermelho”, já que essa ideia estava implantada na cabeça de todos e devidamente cultivada pelas nossas instituições, como a igreja, as associações comerciais e agrícolas, a escola, a imprensa etc.

A palavra “intentona” tem o sentido de “tentativa tresloucada, projeto insensato”, além da própria sonoridade soturna, o que a tornou uma espécie de “bicho papão” para o populacho, que mal conhece o seu significado. Dado à insurreição comunista de 35, um movimento que teve repercussão a repercussão que interessava aos donos do poder, essa palavra serviu de mote para amedrontar a população e até hoje a maioria da população acha que o Brasil ou foi comunista em algum momento ou esteve à beira de sê-lo. Tornou-se, portanto, um meme, uma mentira repetida como se verdade fosse; um fantasma a assombrar as mentes dos idiotas bolsonaristas de hoje, a servir de pretexto para bobagens e falsidades históricas de quem não conhece os fatos e não se interessa por conhecê-los.

Portanto, repito: nunca houve ameaça comunista no Brasil nem qualquer possibilidade de que isso acontecesse. E mais: comunismo não é exatamente aquilo que as pessoas mal-informadas pensam que é: só quem tem medo de uma doutrina que prega o fim da desigualdade social, que deseja emprego e uma vida melhor para o povo são as oligarquias que não querem largar o osso da sua condição de senhores de escravos (todos nós que não fazemos parte das elites econômicas) e donos das riquezas do Brasil.

Somos, a nossa geração, filhos, netos e bisnetos de um engodo construído pelo chamado “estado novo” fascista de Getúlio Vargas, cujo governo tem contradições históricas de defesa do fascismo, num nacionalismo doentio e absurdo, e de aliado das forças estadunidenses na segunda grande guerra até ao alinhamento à política econômica dessa nação após a guerra. E esse alinhamento automático ao grande “irmão” do norte tem sido a tônica de nossos governos, com honrosas exceções, desde a década de 30 do século passado, transformado muitas vezes em total subserviência.

Esse nosso anticomunismo é, portanto, absurdo, estúpido, sem qualquer base histórica e, pior, profundamente injusto para com nós mesmos, um antolho em olhos de burros, já que nos impede de perceber a importância política de apoiarmos partidos de esquerda que possam levar nosso país a suplantar a desigualdade e a miséria, através de políticas sociais e educacionais libertadoras, partidos que tenham ideais patrióticos sadios e não uma política entreguista, como vêm pregando e estabelecendo com muita competência os falsos nacionalistas de hoje.

março 11, 2021

BOLSONARO É O COCÔ DOS CAVALOS DOS BANDIDOS

 



O excremento mal cheiroso da famigerada operação lava jato, que destruiu o país e nos deixou de herança o fétido governo desse nojento, acaba de ser jogado na sentina da história.

Agora temos a certeza do que sempre afirmamos: os degenerados de curitiba tinham uma só ideia na cabeça: destruir o PT, impedir Lula de concorrer à presidência.

Para isso, fizeram alianças espúrias com o "grande irmão do norte", inventaram provas, corromperam testemunhas, trouxeram ideologias jurídicas alheias ao nosso sistema de direito, manipularam sentenças e destruíram a Petrobrás.

Se todos os juízes fossem honestos e isentos, não havia necessidade de instâncias várias, para tantos recursos. No entanto, a operação lava jato reuniu numa só quadrilha juízes, promotores, advogados não só da primeira instância, mas também da segunda. Todos ideologizados no único objetivo de destruir o PT, prender o Lula e deixar um rastro de merda que culminou com a eleição desse indivíduo que é a condensação de todas as ideologias de poder baseado na eliminação de todo e qualquer pensamento crítico, de qualquer outra ideologia que não comungue com seus objetivos torpes de tornar o Brasil uma nação "cristã" no pior sentido do conservadorismo e do moralismo, para se perpetuarem no poder e, assim, rapinarem melhor os cofres públicos, jogando o país nas trevas do negacionismo e da estupidez.

Bolsonaro e seus asseclas estão destruindo a educação, a saúde, o meio ambiente, a cultura, a ciência, a indústria e qualquer possibilidade de desenvolvimento do país. Não há uma só medida tomada por esse desgoverno que tenha por objetivo sanar as diferenças sociais, tirar o Brasil do atoleiro do subdesenvolvimento e retomar o crescimento.

Qualquer um que seja pró-desenvolvimento, que pense em melhorar as condições do povo, que sonhe com um país melhor é taxado de "comunista", de "progressista", como se isso fosse um crime. E o gado aplaude.

Das mais de 250 mil mortes por covid-19 ocorridas aqui, metade poderia ter sido evitada se esse degenerado não tivesse sido tão estupidamente negacionista, se tivesse tomado medidas imediatas de enfrentamento da pandemia, se tivesse feito acordos com as farmacêuticas que desenvolviam vacinas (como muitos países o fizeram), se tivesse apoiado governadores e prefeitos nas medidas de distanciamento social, se não tivesse destruído o programa mais médicos (os cubanos teriam tido um papel importante na orientação das populações carentes nas medidas de prevenção), se não tivesse se aferrado a divulgar notícias falsas e a defender medicamentos que não funcionam, se, enfim, tivesse liderado com responsabilidade a luta contra o corona vírus.

Por tudo isso, Bolsonaro, esse imbecil, canalha, prepotente, ignorante e estúpido presidente saído da cloaca do lavajatismo, é, sim, o ASSASSINO DE MILHARES DE BRASILEIROS, por sua incúria, estupidez e incompetência.

BOLSONARO É O COCÔ DOS CAVALOS DOS BANDIDOS DA LAVA JATO.