maio 28, 2026

SÓ EXISTE UMA ORGANIZAÇÃO TERRORISTA NO BRASIL, HOJE. VOCÊ SABE QUAL É?

 

Invasão do Palácio do Congresso Nacional durante o 8 de Janeiro



Veja o que diz a Wikipédia:

Terrorismo é o uso de violência, física ou psicológica, por meio de ataques localizados a elementos ou instalações de um governo ou da população governada, de modo a incutir medo, pânico e, assim, obter efeitos psicológicos que ultrapassem largamente o círculo das vítimas, incluindo o restante da população do território. É utilizado por uma grande gama de instituições como forma de alcançar seus objetivos, como organizações políticas, grupos separatistas e até por governos no poder.

Numa pesquisa com a IA, ela complementa:

Diferença entre Crime Organizado e Terrorismo

Organizações Criminosas (ex: facções): O principal motor é a obtenção de lucro financeiro e poder territorial, através de tráfego, extorsão e corrupção.

Organizações Terroristas: O principal motor é a ideologia. Buscam impor uma agenda política, religiosa, social ou separatista gerando pânico público.

Observe-se ainda que não há consenso mundial sobre definição de terrorismo ou do que sejam exatamente “organizações terroristas”, porque há algumas nuances adotadas aqui e ali, que complicam um pouco a conceituação exata. Mas, as definições acima têm o respaldo da maioria dos estudiosos.

Entende-se, no entanto, que há uma diferença gritante entre organizações terroristas e facções criminosas. Só uma mente perturbada ou um raciocínio cheio de intensões não confessáveis, como os do presidente atual dos Estados Unidos, para misturar as coisas e considerar facções criminosas como os famigerados PCC (siga para “primeiro comando da capital”, no caso, São Paulo) e CV (sigla para “comando vermelho”, de origem carioca) como organizações terroristas.

Sim, ambas “tocam o terror” em várias comunidades onde atuam, mas isso é só uma forma de dizer o quanto são perigosas. Aliás, essas facções criminosas estão estendendo seus tentáculos para muitos outros ramos da sociedade. Diante dos ganhos que auferem com a exploração das comunidades e com o tráfico de drogas, armas etc., a necessidade de “lavar o dinheiro” fez que elas se apropriassem ou se aproximassem de várias instituições financeiras. A necessidade de proteção fez que essas facções corrompessem polícias e políticos. Mas o intuito é sempre o de ganhar mais e mais dinheiro, sempre o dinheiro, nunca o poder. A elas não interessa o poder direto, preferem agir na sombra, através da corrupção, sem que seus líderes precisem aparecer.

A forma de combate a essas facções tem sido a de identificar e prender seus líderes, apreender drogas e interromper o fluxo do tráfico e rastrear o dinheiro para impedir que entre no sistema financeiro e na cadeia de aquisição de bens como dinheiro limpo. Também é importante que os países façam convênios de cooperação para combate ao tráfico de drogas e à lavagem de dinheiro, já que são organizações internacionais.

Quanto a organizações terroristas, podemos dizer com absoluta certeza que ocorreram somente durante a ditadura militar, que considerou os opositores ao regime como terroristas, o que obrigou a que muitos entrassem na clandestinidade, para escapar da perseguição militar. No entanto, suas ações consideradas “terroristas” ficaram no âmbito de sequestro de autoridades, para libertar presos políticos, e assaltos a bancos, para financiar sua existência. Outras ações, como explosões de bancas de jornais e tentativas de bombas em eventos públicos (caso do Riocentro) foram ações terroristas, sim, mas hoje sabemos que foram provocadas pelo próprio governo, com o intuito de atemorizar a população e justificar as prisões, torturas e mortes de opositores ao regime.

Na história recente, sim, tivemos uma ação terrorista de grande repercussão nacional e internacional, filmada e documentada por todos os meios de comunicação: o famoso 8 de janeiro de 2023, em Brasília, quando grupos articulados e comandados por um determinado partido político depredaram o Palácio do Governo, as sedes dos poderes Legislativo e Judiciário, numa tentativa de provocar comoção que levasse a um golpe de estado.

E qual foi o partido que comandou, articulou, incentivou e financiou essa ação terrorista? O PL, Partido Liberal, a que pertencem todos os membros da famigerada família dos “bolsonaros”. Os dirigentes do PL não foram condenados pelos atos criminosos, mas vários integrantes do governo anterior, do senhor Jair Bolsonaro, foram julgados e condenados por atos terroristas e tentativa de golpe de estado. Todos sabem quem são e o que fizeram, de acordo com o Supremo Tribunal Federal, cujos juízes têm por dever e obrigação proteger a Constituição e o Estado desse tipo de terrorismo.

Portanto, é totalmente absurdo que o senador Flávio Bolsonaro tenha ido aos Estados Unidos pedir ao presidente Donald Trump que considere as facções criminosas, como o PCC e o CV, como organizações terroristas.

A única organização terrorista que existe no Brasil hoje é o seu partido, o Partido Liberal e os partidos que o apoiam. Foram eles que cometeram ATOS TERRORISTAS, isto é, apoiaram, incentivaram e financiaram a tentativa de GOLPE DE ESTADO por meio da força, com planos de assassinato de autoridades públicas, justificado – o golpe – por motivos ideológicos, o que caracteriza claramente que constituem, repito, esses partidos uma ORGANIZAÇÃO TERRORISTA.



maio 22, 2026

“QUARTO DE DESPEJO” E A EXTREMA DIREITA

 

Carolina Maria de Jesus em 1958 na favela do Canindé, às margens do rio Tietê, 
onde viveu até lançar 'Quarto de Despejo'

Ao encerrar meu comentário sobre o livro de Carolina Maria de Jesus, “Quarto de despejo” (no blog Trapiche da Leitura), afirmo “que se deve ler [esse livro] com o mesmo espanto de há mais de 70 anos, por ter o Brasil progredido tanto e não ter ainda resolvido a questão da desigualdade social.” E mais: algumas linhas antes, quando a autora critica o governo Juscelino Kubitschek, dou-lhe razão, porque “Juscelino priorizou o desenvolvimentismo e esqueceu o lado social”. Gostaria de retomar essas duas frases e aprofundar um pouco o meu ponto de vista.

Considero Juscelino um dos maiores presidentes que já tivemos. Tirou o país do marasmo e da estagnação e preparou-o para os desafios do crescimento e de um desenvolvimento sustentável. Sim, essa foi sua prioridade. O lado social ficou em segundo plano (e acho que estou até sendo pouco crítico). No entanto, vivíamos uma democracia plena e saudável. Já no seu governo, havia um homem de grande talento e de grande visão social: Celso Furtado. Criou, a pedido de Juscelino, a SUDENE – Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste. Tenho para mim que esse órgão seria uma espécie de projeto-piloto para um possível segundo mandato de Juscelino, após Jânio, quando a prioridade do presidente seria o social, ou seja, cumpriria a segunda etapa de um projeto de Brasil que pudesse equilibrar a balança do desenvolvimento com etapas de combate à pobreza e à desigualdade. Infelizmente, todos sabemos o que aconteceu: Jânio foi aquele fiasco; Jango foi deposto e... a direita raivosa tomou o poder em 1964.

Isso sempre acontece no Brasil: quando o país começa a dar sinais de desenvolvimento econômico, político e social, com governos voltados para o social, a direita canalha vem e... como na música “Roda Viva”, de Chico Buarque, leva nossa esperança para o brejo da corrupção, da estagnação, do desmonte de todas as políticas sociais. Não vou, aqui, dar exemplos, porque qualquer um que acompanhe a história do Brasil, dos primórdios da República até nossos dias, pode contar e recontar todas as vezes em que isso aconteceu.

Então, quando digo que ainda não conseguimos superar a desigualdade até hoje, é porque exatamente esse desmonte acabou de acontecer: os governos Lula e Dilma haviam lançado as bases do desenvolvimento social e o país caminhava para um futuro de menos pobreza, com um olhar menos preconceituoso contra os mais pobres, buscando, não só com programas assistenciais (“a fome não espera” – como disse Lula), mas também com projetos de desenvolvimento que visassem a dar a todos um emprego decente, uma vida digna, com a devida justiça de diminuir o abismo entre as classes sociais, com a famigerada e nunca conseguida (por causa da direita) distribuição de renda, reformas de base (aquelas mesmas do Jango), como a reforma agrária etc. No entanto, o que aconteceu depois do golpe contra a presidenta Dilma: Temer e Bolsonaro, representantes da direita hidrófoba, acionaram a roda viva do desmonte, para, em seis anos de desgoverno, jogar o país de volta à pobreza e à desigualdade.

Lula, ao reassumir o governo, depois de derrotar a direita, tenta consertar os estragos e retomar seu projeto de desenvolvimento sustentável e de combate às desigualdades sociais, mas tem encontrado a roda vida da extrema direita muito bem azeitada no Congresso, a fazer de tudo para atrapalhar seu governo e impedir que o país retome a defesa dos mais necessitados. E, se essa roda vida da extrema direita se tornar vitoriosa nas próximas eleições (no final deste ano), podemos esperar mais quatro anos de trevas e de retrocesso.

E a mesma situação de “quarto de despejo” vivida por Carolina Maria de Jesus na década de 1950, na favela onde morava em São Paulo, vai continuar sendo a pedra no sapato de todos os brasileiros que ainda sofrem aquilo que hoje chamam, “elegantemente”, de “insegurança alimentar”, mas que é, na verdade a velha e surrada FOME, de que tanto se queixa nossa escritora que catava papel na rua, para sobreviver.

Termino esse breve comentário sobre assunto tão complexo, com um apelo: temos que deter a roda viva do retrocesso! A cunha para que essa roda deixe de girar é o voto. Enquanto o chamado “pobre de direita” continuar sendo iludido por falsas pregações (sim, estou me referindo às igrejas pentecostais, esse câncer que tomou de assalto a sociedade brasileira) e falsas promessas de políticos mal intencionados, não teremos como derrotar, ainda que parcialmente, esse capitalismo selvagem do neoliberalismo de extrema direita e deter a roda viva que mói a capacidade de o Brasil superar as desigualdades sociais que ainda o assolam.