julho 17, 2009

COMO CHIAM OS PIZZAIOLOS!




Todo mundo sabe que o Presidente Lula fala demais. É o seu jeito. E quem fala demais sempre acaba dando bom dia a cavalo, como dizia minha mãe.

Pois é, foi o que ocorreu, quando disse que na oposição (do Senado) há muitos pizzaiolos, ao responder uma pergunta sobre a malfadada CPI da Petrobrás.

Não vou exatamente defender o Lula. Vou tentar apenas pôr os pingos nos is.

Talvez o Presidente não queira lembrar, mas todos se lembram de quando ele disse, há muito tempo, que no Congresso havia pelo menos uns trezentos picaretas. Que viraram até música de uma banda de rock.

Ora, alguém, em sã consciência, vai discordar dessa afirmativa? Claro que não. Então, quantos picaretas há hoje, por exemplo, no Senado? Quantos?

Além disso, a afirmativa de Lula se refere à oposição e não exatamente ao Senado. Oposição que, quando situação, assou belas e apetitosas pizzas, no tempo do famigerado FHC.

Todo mundo sabe que os picaretas da oposição jogam para a arquibancada o tempo todo. São os típicos moralistas rodriguianos: por fora, bela viola; por dentro, pão bolorento. Que ninguém se engane com as diatribes de virgílios e agripinos, cristovans e álvaros, que é tudo um jogo bem ensaiado para que voltem ao poder os destruidores de empregos, os privatistas e entreguistas de sempre.

A CPI da Petrobrás tem objetivo certo e determinado: desmoralizar sua administração, para que possam continuar a velha pregação de que o Estado não sabe administrar, como foi o mote neoliberal importado da Inglaterra de Margareth Thatcher (nem idéias próprias eles têm), para justificar a sacanagem privatista que o ex-presidente promoveu.

Então, nessa história de pizza, as que eles promoveram quando governo tiveram o gosto amargo do jiló e o tempero de negociatas muito bem planejadas.

E mais duas coisinhas apenas: pelo atual sistema político-eleitoral, é impossível a qualquer governo conseguir fazer alguma coisa sem o PMDB. Que nasceu descente e se perdeu nos descaminhos do poder a qualquer custo. O último grande peemedebista jaz no fundo do mar, infelizmente. Então, defender o Sir Ney e elogiar o Collor pode não ser lá muito ético, mas é o único jeito de manter alguma governabilidade. Aliás, os atuais oposicionistas sabem muito bem disso.

A segunda coisinha: esse Sindicato dos Trabalhadores em Gastronomia e Hotelaria de São Paulo entrou na história para quê? A serviço de quem? Sob inspiração de qual ou quais políticos? Os pizzaiolos de todo o Brasil entenderam muito bem o que o Lula quis dizer e acho que não precisam de defesa, não. Isso é só mais um joguinho de cena, para aparecer ou a serviço da mesma cambada de sempre.

O Lula falou demais, e acabou dando bom dia à cavalaria toda da oposição, que estrebuchou. Que estrebuchem, é direito deles. O que não quer dizer que tenham razão. E que os verdadeiros operários da pizza, essa instituição paulistana, continuem a assá-las nos seus fornos, de forma honesta, que eles não têm nada a ver com essa encrenca.

E estamos conversados.

julho 13, 2009

SIR NEY, SIR NEY!



Indigna-se a oposição, principalmente senadores do DEM e do PSDB, contra o presidente do Senado, como se não tivessem o rabo preso há muitos anos com os mesmos vícios que eles condenam.

Indignam-se comentaristas da mídia e põem mais lenha na fogueira, ao buscar no passado do senador Sarney uma trajetória de escândalos e apropriação do dinheiro público.

Indigna-se a população, principalmente, do Sul maravilha, contra os desmandos da casa legislativa que deveria ser o exemplo de correção e comedimento.

Têm todos razão. E ninguém tem razão.

A sujeira é mesmo grande, mas motivo não há, agora, para toda essa gritaria, esse espanto. Basta olhar um pouco para a história política desse País, para compreender que é tudo muito normal, tudo muito natural.

Nossas instituições políticas sempre foram contaminadas pela inexistência de linhas claras entre público e privado. Nossa república já nasceu assim, herdados que foram todos os vícios da monarquia, regime que sabe muito bem misturar o que é da Nação com o que pertence à “família real”, numa mixórdia que não se distingue bem onde começa realmente o bem público e onde termina o poder financeiro do monarca de plantão.

Assim foram todas as repúblicas já constituídas nesse nosso País de coronéis de meia tigela, com títulos comprados à antiga Força Pública, para melhor assenhorear-se dos bens do Estado ou dos estados, fazendo-se, a si mesmos, não apenas gestores mas pequenos vice-reis em suas capitanias hereditárias, constituídas à custa do chicote e da escravização das populações. Esse modelo, que é escancarado no Nordeste, até hoje, repete-se com formatos mais ou menos sutis em todos os demais estados da Federação.

Famílias ou grupos de famílias e agregados ou clãs que se perpetuam no poder existem em todos os lugares. E não há, entre essa gente, nenhum escrúpulo de divisão de bens entre o que é do povo e o que é deles, ou melhor, o que é do povo é sempre deles, muito deles.

O clã de Sir Ney, que virou Sarney, é apenas uma ponta desse imenso iceberg de práticas condominiais que usam todos os demais clãs, para se apoderarem, sem nenhum escrúpulo, do que julgam lhes pertencer por direito quase monárquico. E compram consciências e votos como compramos nós bananas na feira.

Não há, portanto, por que se espantar. Sir Ney foi eleito e reeleito inúmeras vezes, assim como a maioria dos senhores deputados e senadores, com o voto de cabresto de sempre. Que só pode acabar, se conseguirmos, um dia, detonar para sempre esse maldito instituto da reeleição!

julho 10, 2009

A CPI DA PETROBRÁS



Já que é inevitável, por um cochilo dos governistas, a instalação da CPI da Petrobrás, que agora a base do Governo não bobeie mais e não deixe que se infle ainda mais o circo dos palhaços da oposição. Que seja uma CPI chapa branca, sim, com todo o cuidado para que não se atinja e se desmoralize uma empresa que tem a cara do Brasil, que está marcada pela história recente de luta de milhões de brasileiros.

Não gosto do Getúlio Vargas, porque odeio ditadores, odeio governantes que se acham acima do povo e querem se perpetuar no poder. Mas não posso deixar de dar a mão à palmatória, quando seu governo, pressionado por fortes movimentos populares, criou a Petrobrás.

Sem essa empresa, estaríamos até hoje reféns das famosas sete irmãs do petróleo e não teríamos alcançado um décimo do atual desenvolvimento. Seríamos uma nação empobrecida, vilipendiada e dependente. Mesmo que isso possa parecer exagero, para as gerações mais novas. Mesmo que o petróleo comece a dar sinais de esgotamento de sua força no mundo. Mesmo que energias alternativas comecem a quebrar o monopólio do chamado ouro negro.

Sem a Petrobrás, não teríamos como ter capital para usinas hidrelétricas e outras fontes de energia que geram desenvolvimento, já que teríamos de gastar fortunas com a importação de petróleo e seus derivados.

Bem ou mal gerida, desde a década de cinquenta a Petrobrás formou técnicos competentes, buscou novas tecnologias, avançou na prospecção de óleo em águas cada vez mais profundas, até atingir o que é hoje: uma das maiores empresas do mundo.

Objeto de cobiça de toda uma cambada entreguista, historicamente tem sido vilipendiada por uma parte da sociedade brasileira, por aqueles entreguistas de sempre (o termo entreguista pode até ter saído de moda, mas estão sempre por aí aqueles que não se conformam com o desenvolvimento do País sem dependência externa, por interesses mais do que sabidos, nunca abertamente declarados). O desgoverno tucano do acadêmico Fernando Henrique Cardoso fez de tudo para quebrar o monopólio do petróleo, até mesmo quebrar o País por um segundo mandato, e só conseguiu parcialmente seus objetivos: a privatização (leia-se: venda a preço de bananas, como fez com a Vale) da Petrobrás ficou para um possível terceiro mandato tucano, com o José Serra. Para isso, precisa de qualquer bandeira, de qualquer circo, que torne possível sua vitória.

Não se iludam os brasileiros com as falsas juras de amor à Petrobrás cantadas pelos senadores do DEM e do PSDB. Não se iludam. Porque eles, os entreguistas, através desses mesmos senadores, estão de olhos bem abertos para, na primeira oportunidade, ao menor cochilo do povo, empurrar nossas conquistas econômicas goela abaixo das bocarras escancaradas do capital internacional.

E a CPI da Petrobrás pode ser um bom começo. Ou pretexto.

junho 30, 2009

ATOS INSANOS: MOTOS E MORTOS

Eu acho que montar um veículo motorizado, de não sei quantos cavalos de força, com duas rodas, chamado de motocicleta, é um ato insano. Por mais que digam que pode haver algumas medidas de segurança para o condutor, qualquer queda – e isso é mais do que provável de acontecer – coloca a pessoa em risco de ferimentos graves e de morrer.

Pilotar um desses instrumentos de morte pode ser acrescentado à lista desses atos insanos de opção individual, como tantos outros que os seres humanos adotam com certa tranquilidade, até mesmo com um ar blasé de desafio à morte. Afinal, cada um escolhe o jeito como quer viver ou morrer.

Mais insano ainda é quando, ao risco do condutor, se acrescenta o risco do carona, ou seja, o idiota (ou suicida) que se senta atrás de um desses veículos para ser conduzido, em ziguezague pelas ruas esburacadas, por entre carros, ônibus, caminhões e até pedestres, apenas para tentar chegar mais rápido a algum lugar. Tem, sim, a possibilidade de chegar mais rápido ao cemitério.



Milhares de prefeitos de cidades pelo Brasil afora permitem – já que não há lei regulamentando tal negócio – o chamado mototáxi, ou seja, fecham os olhos, criminosamente, a que uma frota, quase sempre sem fiscalização, de motocicletas funcione como táxi, conduzindo passageiros. Não se sabe se os condutores são devidamente treinados para isso. Não se sabe se os veículos, perigosos por si mesmos, que eles conduzem, estão em boas condições de conservação. Não se sabe quase nada e é muito difícil, quase impossível, fiscalizar tais veículos, por sua rápida proliferação.

Incautos, milhares e milhares de pessoas confiam suas vidas a esses veículos inseguros e a seus condutores mal preparados e, muitas vezes, irresponsáveis, por dirigirem de forma perigosa ou por não terem o preparo necessário ou por não terem em perfeitas condições de condutibilidade os seus veículos que, repito, já são perigosos por si mesmos.

Agora, o Congresso aprova lei que regulamenta – leia-se: permite – que todas as cidades adotem tal tipo de condução.

Em São Paulo, onde o trânsito de motocicletas atinge o clima de epidemia, morrem pelo menos quarenta – eu repito: quarenta – motoboys por mês, em acidentes de trânsito. Imaginem-se a quantidade de feridos, de inutilizados para o trabalho, e os gastos em hospitalização, remédios, horas e recursos médicos, os prejuízos dos engarrafamentos, da perda de tempo e de bens materiais. A conta é astronômica.

Aprovada a lei de permissão do mototáxi no Congresso, se alguma autoridade irresponsável – e as temos as borbotões, por aqui – da cidade de São Paulo adotar o tal sistema de economizar tempo e produzir defuntos, teremos um morticínio mais cruel que todos os ataques de vírus que a humanidade já sofreu.

Motocicleta não rima com nada além de, pura e simplesmente, morte. Devia-se chamar “mortocicleta”, como já chamamos, em São Paulo, os motoboys (entregadores de encomendas que utilizam motos e infernizam o trânsito) de “mortoboys”.

junho 26, 2009

DUNGA ESPANTA A ZEBRA




Copa das Confederações. Semifinal. Seleção Brasileira e Seleção Sul-Africana, os Bafana Banfana, incentivados pela torcida e pelas vuzuelas. Um barulho ensurdecedor. Jogo duro, até os trinta e cinco minutos do segundo tempo: nenhum gol e os brasileiros perdidos em campo.

A Zebra, no banco de reservas dos africanos, tira o agasalho e começa a aquecer-se.

Do alto de sua sabedoria, Dunga chama Daniel Alves, lateral direito, para entrar no jogo. A Zebra olha e rola de rir: Daniel Alves?

Dunga grita no ouvido de Daniel:

- Vai lá e bate a falta que o Ramires vai sofrer daqui a cinco minutos...

- O quê?

- Vai lá e bate a falta que o Ramires vai sofrer daqui a cinco minutos...

- Mas, professor, não é o Ramires quem vai sair?

Dunga parece perdido, com a pergunta. O quarto árbitro começa a montar a placa de substituição com o número do Ramires. Dunga grita a plenos pulmões para se fazer ouvir:

- Espere... espere!

Nesse momento, o André Santos, bem à sua frente, passa correndo, perdido, como todo o time.

- É esse que vai sair, não o Ramires...

- Mas, professor – protesta o Daniel – eu vou entrar na lateral esquerda?

- Não... não... você só vai entrar pra fazer o que eu disse... a falta... bater a falta, entendeu?

Daniel Alves balança a cabeça que sim, mas seu olhar de espanto indica que ele, na verdade, não entendeu nada.

O árbitro determina a substituição. Daniel Alves, perdido como todo o time, entra em campo. O jogo continua por mais alguns minutos, com os africanos cada vez mais animados a marcar um gol que os consagraria para sempre. De repente, num ataque fortuito, a falta, bem na linha da grande área, contra os africanos. Ramires fora derrubado.

A televisão mostra o rosto concentrado de Daniel Alves. Galvão Bueno tem mais um ataque e berra que aquela falta é meio gol, que Daniel Alves é especialista e outras coisas mais. Penso: cala a boca, Galvão, que você vai secar o menino... Desligo o som da televisão e...

Bem, o resto é história. A Zebra dá um sorrisinho amarelo, volta para o banco de reservas e promete aparecer com o uniforme dos Estados Unidos, no domingo, na grande final.

junho 24, 2009

INDIGNAÇÃO? PARA QUÊ?



Cidadãos indignados: um porre! Já se disseram cansados, já inventaram “impostômetros”, já tentaram panelaços, agora tentam o luto, uma tarja preta na janela. Tudo bobagem. Nada arranha a competência de nossos políticos em continuarem a cometer as falcatruas que sempre cometeram, porque os esquemas já estão armados desde há muito e não quem os desarme.

Por quê?

Porque constituem uma casta encastelada nos poderes da República, em todas as suas instâncias, pelo maldito instituto da reeleição. Perpetuam-se e a seus protegidos, nas Câmeras de vereadores de quase seis mil municípios, nas Câmaras estaduais e na federal, no Senado. São donos de currais eleitorais constituídos à custa de anos e anos de troca de favores, de embustes, de falsas promessas.

O que acontece com o Senado, hoje, essa vergonhosa lista de atos secretos a distribuir benesses com o dinheiro público, o nosso dinheiro, apenas comprova o que temos há muito denunciado como um dos males de nossa democracia, a possibilidade de reeleição sem limites.

É claro que a extinção do estatuto da reeleição não vai impedir a roubalheira ou sua continuação. No entanto, se se renovassem as lideranças políticas, muitos esquemas poderiam ser abortados, e a vigilância dos cidadãos e dos órgãos controladores e repressores ficaria facilitada, já que a renovação exigiria dos recém-eleitos maior malabarismo para burlar a lei.

Vejam os mortos-vivos que frequentam as listas de implicados no escândalo do Senado e poderão verificar que é gente que está lá há tanto tempo, que já nem prestávamos atenção às suas maracutaias, já que arrotam a todo instante falsas juras de probidade. Há, é claro, gente honesta, inteligente, preocupada com o povo, entre a camarilha e, é claro, também, que, com a proibição de serem reeleitos, nós os perderíamos. Mas acredito que o prejuízo é bem menor do que continuarmos a eleger sempre os mesmos, sempre os mesmos, por anos e anos, e até por décadas e décadas.

Assim, não adiantam a indignação e o protesto irado, se não tivermos o sangue frio de adotar uma campanha sistemática contra a reeleição, a ser vencida pelo convencimento de parcelas significativas da população, até que se tenha um número suficiente de pessoas para uma ação mais efetiva, como, por exemplo, uma emenda constitucional nascida da vontade do povo que acabe de uma vez por todas, senão com a reeleição, pelo menos com a reeleição reiterada. Quem sabe, apenas duas vezes, como já acontece com os membros do executivo, embora, sendo radical, eu pessoalmente preferiria que se acabasse com a reeleição para o mesmo cargo em todos os níveis.

Em vez de ficarmos chorando as pitangas ou o leite derramado, acredito que só um debate que envolva todos os cidadãos, através dos órgãos de comunicação social, poderia levar a uma democracia mais saudável, acabando com esse maldito sistema que institui uma classe política encastelada para sempre nos desvãos do poder, a se reeleger seguidamente, para armar as maracutaias que lhes permitem meter a mão no dinheiro público, no nosso rico dinheirinho.

Mas, isso, a nossa mídia, representada por empresas que também mamam nas tetas dos mesmos esquemas, através do subsídio indireto da propaganda comprada pelos governos, ou através da manutenção no poder de políticos que defendem os seus interesses, isso nossa mídia e nossos impolutos articulistas, repórteres, comentaristas e quejandos não se dispõem a fazer, atados que estão todos na mesma total e geral geléia de jogos de poder e corrupção.

Portanto, em vez de protestos e indignações inúteis, que tal começarmos a pensar seriamente numa reforma política à revelia dos políticos?

junho 16, 2009

O CASO DO MENINO S. E SUA VOLTA AOS ESTADOS UNIDOS




Tenho-me segurado para não dar meu pitaco nesse assunto. Mas, hoje, não resisti.

Primeiro, a Convenção de Genebra, do qual o Brasil é signatário. Diz, de forma clara, objetiva e transparente, que os casos de crianças levadas a outro país, sem o consentimento de um dos pais, devem ser julgados nos país de origem da criança.

Portanto, no caso do menino S., vindo para o Brasil em companhia da mãe, que morreu no parto, sua guarda não devia ser discutida pela justiça brasileira, mas sim, pela estadunidense.

Segundo, o aspecto mais importante: a sacanagem do padrasto brasileiro, de sobrenome ilustre na área do Direito (e, por isso mesmo, obteve a complacência de nossa justiça, que julga, sim, não só pelo mérito, mas por outras razões...). Quando a mãe faleceu, não podia o tal padastro, por uma questão de direito e de humanidade, ignorar o pai biológico do menino. Por mais que ele gostasse do garoto (e nem vou discutir esse mérito), era sua obrigação humanitária (e enfatizo esse termo) entrar em contato com o pai americano, para discutir a guarda do filho. Passar por cima do direito de um pai de decidir o destino de um filho menor, no caso de morte da mãe, não é apenas falta de humanidade, é sacanagem pura e simples, independente de quaisquer outras razões.

Se o pai biológico não tivesse condições, morais, intelectuais, financeiras ou seja lá o que se pudesse alegar, mesmo assim, sua primazia seria inconteste, e o caso teria que ser decidido em cortes estadunidenses, sempre tão ciosas no direito de filhos menores, muito mais do que os nossos juízes. Não raro, tiram dos pais legítimos o direito sobre os filhos, porque esses não têm condições de criá-los ou porque os pais biológicos estão prejudicando essa criança.

Então, não havia por que transformar essa encrenca em incidente internacional, pela teimosia, burrice e (independente de qualquer amor que o padrasto tenha para com o menino S.) falta de humanidade e de reconhecimento do direito do pai biológico.

Pura estupidez.

Para ficar com o garoto, o padrasto (de mais que acostumada com as lides judiciais e, portanto, sabedora de que a causa seria praticamente perdida, se o pai apelasse para a Convenção de Genebra) contou com a lerdeza de nossos juízes, sem se importar nem com a vontade da criança àquela altura nem com o prejuízo emocional que ela terá, quando a lei e o direito internacionais prevalecerem, e ela tiver que ir embora.

Quem pagará pelo seu sofrimento em deixar uma família, amigos e um ambiente a que foi obrigada, pelas circunstâncias, a acostumar-se e a aprender a amar? Mesmo que a transição seja cuidadosa (e terá de ser!), sempre haverá recalques e sequelas que ficarão em sua cabecinha ainda em formação.

junho 09, 2009

QUE DROGA!





Jamais usei drogas. Acho babaca o cara que precisa de drogas para qualquer coisa. A vida já um barato, sem precisar de maconha, cocaína, ecstay ou qualquer outra porcaria, para viver um barato. Aliás, em matéria de drogas, já botamos para dentro de nosso organismo muitas outras drogas, as legalizadas, as que estão no ar que respiramos, na comida envenenada por agrotóxicos que comemos, nos comprimidos contra dor de cabeça que consumimos. E ainda vamos querer drogas que, além dos efeitos colaterais que todos conhecemos, também nos alteram o estado de consciência! Acho estupidez. Mas, enfim, cada um sabe de si.

Quando o assunto é droga (aqui consideradas apenas as de efeito alucinógeno, portanto, as proibidas), a falta de conhecimento do assunto, o preconceito e as posições radicais predominam.

Falta de conhecimento do assunto. Não preciso, por exemplo, saber a história da maconha e de seu uso através dos tempos, ou, ainda, que a maconha pode ter tais e tais usos terapêuticos ou não, para defender o famoso tapa na pantera. O que a ciência sabe hoje sobre a cannabis é suficiente (assim como conhece todo o malefício do cigarro, esse uma droga permitida!), para nos provar que, embora menos terrível que outras, a marijuana tem efeitos nocivos, sim, no organismo que a usa. Assim como conhecemos, cientificamente, o desastre físico e psíquico provocado por todas as demais drogas alucinógenas.

Preconceito. Trata-se de pura e simplesmente estupidez ter preconceito contra o assunto drogas. Mas, pior é o preconceito contra o usuário. Está certo: acho que quem usa droga é estúpido, mas estúpido para si mesmo, por se destruir. Não adianta a sociedade encarar com preconceito o desajuste do drogado. A sociedade cria indivíduos desajustados e precisa acostumar-se a conviver com eles, e não persegui-los. Os seres humanos não são anjos nem demônios e imaginá-los divididos entre o bem o mal seja por qual motivo for não ajuda em nada a nos tornar melhores e mais civilizados.

Posições radicais. Há os que defendem com unhas e dentes a liberdade de se drogarem, como se a sociedade não tivesse nada com isso. E há os que desejam ver para sempre erradicados da sociedade tanto as drogas quanto os drogados. Tanto o individualismo exacerbado de um lado, quanto o fascismo disfarçado do outro poluem e impedem qualquer discussão mais séria sobre as drogas. E ficamos nos digladiando, sem achar algum tipo de solução do problema ou de convivência com ele.

No entanto, uma discussão séria, com conhecimento do assunto, sem preconceitos e sem posições radicais urge que ocorra em todo o mundo, para que possamos equacionar o problema do uso e abuso de drogas alucinógenas em nossa sociedade. Tanto a permissividade total quanto a proibição absoluta têm-se mostrado catastróficas. A busca de um meio termo, de um princípio mais humano e uma visão menos tacanha, que possa encontrar na prática uma forma de racionalismo tem sido dificultada por esses três elementos que citamos.

A sociedade tem de decidir: aceitação e formas de aceitação ou proibição total e formas de erradicação.

Se optarmos pela proibição total, como mais ou menos tem sido o modelo atual, temos de buscar formas científicas de erradicação total das plantações e das sementes de todas as drogas que se cultivam; temos de encontrar sistemas de controle das substâncias que permitem sintetização dessas mesmas drogas e a criação de outras ainda mais potentes; temos de desenvolver formas mais humanas de tratamento dos usuários; e, acima de tudo, realizar uma ampla e profunda conscientização das pessoas, através de campanhas publicitárias, de educação permanente de jovens e adultos, de forma a que todos tenham absoluto conhecimento e desprezo pelas drogas. E, acima de tudo, coibir o tráfico e manter um sistema de vigilância contínua e total em todos os pontos de cultivo, processamento e venda de drogas, sem um minuto sequer de distração, sem um átimo sequer de tolerância. Custo desse programa? Incalculável. Mas é um custo que todos, absolutamente, todos terão de pagar.

Se optarmos pela aceitação do consumo de drogas, em nome da liberdade individual, temos de solucionar o problema da produção e comercialização dos produtos; temos de estabelecer critérios de qualidade para essa produção e comercialização, bem como a adequação de lugares para consumo, sem que prejudiquem os que não usam; temos de estabelecer regulamentos claros para esse consumo; temos de discutir se o usuário terá ou não direito aos caríssimos sistemas de saúde, quando estiver debilitado pelas drogas, e quem pagará por isso; temos de discutir os limites entre o dever e o direito dos usuários, de tal modo que não interfiram nos direitos e deveres dos não usuários; e, principalmente, discutir se vale a pena a sociedade curvar-se definitivamente às demandas individuais e se vale a pena pagar esse preço, já que abrirá as portas para muitas outras exigências do indivíduo em relação ao grupo, de tal forma que assumamos claramente a ditadura do ego sobre o coletivo. Custo desse programa? Incalculável, em suas consequências muito menos econômicas do que de mudança total de paradigmas. Mas será um custo que todos, absolutamente todos, terão de pagar.

Enfim, abrir a discussão e buscar soluções para os inúmeros problemas que, apenas de relance e de forma rasa, abrimos nos parágrafos precedentes, numa visão maniqueísta, que é totalmente condenável, quando se trata de drogas e seu uso. O que não podemos tolerar é a absoluta indiferença e hipocrisia da sociedade, e seu envolvimento com aspectos preconceituosos, ligados a religiões e outras superstições, quando vem à tona o assunto drogas. Também não podemos tolerar a cara de pau dos que dizem ser inocente o uso de um cigarrinho de maconha, como se não houvesse por trás dessa fumacinha um tremendo esquema de tráfico que assalta, que assassina, que mantém a todos reféns de uma violência contra a qual os mesmos fumantes inocentes se revoltam, porque são também eles atingidos através de seus filhos, irmãos, pais e amigos por balas perdidas e outras atrocidades, por bandidos financiados por eles mesmos.

Essa hipocrisia, sim, tem de acabar. E já. Para que possamos discutir com paixão, talvez, mas não sem conhecimento, mas não com preconceitos, mas não com radicalismo, o problema das drogas.

E também sem poesia e sem ingenuidade, por favor. Porque não é pelo fato de eu nunca ter usado drogas e abominar o seu uso, que não poderei entender o buraco em que estamos metidos por causa delas.

(Escrito em 29.3.2007)


junho 08, 2009

AINDA O TRÁFICO, AINDA AS DROGAS, AINDA A HIPOCRISIA...




Consumo de drogas e tráfico. Problema cascudo. Que a sociedade não enfrenta do modo como devia: sem moralismos. Porque, ou discutimos isso como pessoas civilizadas ou estamos pondo em risco o próprio conceito de civilização.

Como jogar lenha nessa fogueira? Bem, o primeiro passo é deixarmos de ser hipócritas e reconhecermos que há, sim, quase total culpa pelo tráfico de uma certa classe média e média alta que consome toda e qualquer droga que se lhe apresentam como salvadora de suas neuroses. Não adianta combater o tráfico, se a sociedade não se conscientizar de que uma coisa não funciona sem a outra: o consumo é causa e o tráfico, efeito. Mas isso é apenas um lado do complexo prisma que envolve a discussão sobre drogas.

Primeiro, vou deixar clara minha opinião sobre o tema drogas: nunca consumi, não consumo e não consumirei jamais qualquer droga alucinógena, porque acredito que o ser humano não precisa disso. Não há provas de que cocaína ou maconha ou seja lá o que for aumentem em um átimo sequer a capacidade de entender a realidade ou de tornar alguém mais capaz do que é naquilo que faz. Nenhum artista (ou cientista ou quem quer que seja), e isto é mais do que provado, realizou qualquer obra-prima quando estava drogado, se não tivesse capacidade de criá-la sem o seu uso. Ou seja: a droga não aumenta a capacidade nem criativa nem intelectual de ninguém. Mas estão provadas cientificamente a dependência química e a deterioração física e mental dos usurários de drogas. Além dos problemas familiares, sociais, financeiros.

Dito isto, vamos a um argumento a favor da droga: a liberdade que tem o indivíduo de dispor de si como lhe aprouver. É um direito inalienável esse ou pode ser discutido? Pode, ou deve, o direito individual prevalecer sobre o social a despeito de quaisquer outras implicações? Acho que é esse um dos cernes da questão. Porque, na verdade, estaremos discutindo isto: que tipo de sociedade nós queremos?

Vamos, em tese, concordar com o argumento do direito individual. Que vantagens e desvantagens haveria na descriminalização das drogas? Com certeza, há muitas vantagens: eliminaríamos, em primeiro lugar, o tráfico, já que a droga seria comercializada de forma controlada, embora livre, com o pagamento de impostos e demais regulações legais. Só o fim do tráfico já seria um argumento poderoso a favor da legalização. Mas ainda há outros: o controle (pelo estado e, consequentemente, pela sociedade) impediria que menores usassem drogas e isso também pode ser um ponto altamente positivo. E mais: os drogados teriam assistência no uso, evitando-se as mortes por overdose; teriam locais certos de consumo, assistência médica e psicológica; tratamentos para desintoxicação quando resolvessem deixar o vício etc. etc. Há experiências dessa legalização em países europeus que comprovam que não há aumento significativo no uso de drogas, no início da liberalização, ocorrendo, inclusive, uma certa diminuição do número de usuários após algum tempo. Não sei se é verdade, mas parece lógico que isso ocorra. Portanto, teríamos uma sociedade mais justa, mais respeitosa dos direitos individuais, convivendo de forma pacífica com as diferenças. E isso parece bom. Há outras implicações? É lógico que sim, e esse pequeno artigo não pretende nem ir a fundo na questão nem levantar todos os problemas relacionados a tal decisão. Apenas dizer que, se pretendemos examinar sem moralismos o uso de drogas pela sociedade, devemos fazê-lo de forma desapaixonada e criteriosa, tendo sempre em mente a pergunta fundamental: que tipo de sociedade queremos?

E a descriminalização pode ser um caminho, porque o atual modelo repressivo tem-se revelado impotente para resolver o problema. Mas ela não é e não pode ser encarada como um modelo definitivo, tampouco como solução de todos os problemas, porque, a despeito da carga democrática e de aparente respeito humano que traz, ainda há questões mais profundas a serem discutidas, talvez mais adiante, talvez agora. Por exemplo: por que o homem precisa de drogas? Será que a necessidade de alienação está, de alguma forma, embutida na nossa herança genética ou terá sido criada em função das pressões do meio? Terá a ciência, algum dia, capacidade de anular os efeitos das drogas e libertar, para sempre, o homem desse tipo de dependência? Podemos entregar às drogas alguns indivíduos em nome da teórica salvação dos demais? Será que não estamos usando os drogados como bois de piranha de nossa própria incompetência como seres humanos? Vale a pena desperdiçar alguns cérebros para salvar outros? Não criaríamos uma nova casta de humanos, o que levaria à segregação e ao preconceito, futuramente? Não é perigoso demarcar, como gado, alguns indivíduos porque são diferentes e necessitam, para viver, de drogas e alucinógenos? Enfim, não será o melhor dos mundos um mundo em que se liberem as drogas, mas pode ser o início de uma discussão que leve à solução do problema. Ou vamos continuar sendo hipócritas na defesa do combate violento aos traficantes, esquecendo-nos de que eles são alimentados pelas mesmas pessoas, ou seus familiares, ou seus amigos, ou seus conhecidos, que vociferam nos meios de comunicação contra a violência do tráfico? Há aspectos emblemáticos nessa luta contra o tráfico: que outro empreendimento humano não se abalaria com prejuízos de milhões de dólares, ao serem apreendidas toneladas de drogas em todo o mundo, e continuaria suas atividades, como se nada tivesse acontecido? Não parece uma luta sem fim, sem qualquer perspectiva de vitória?

Acredito, e faço disso minha crença inabalável, que as drogas são perniciosas, sim, incluindo entre elas o álcool e o fumo, e que seu uso e abuso têm trazido mais, muito mais problemas que benefícios; e mais: acredito que o homem não precisa delas para se tornar melhor, ou pior, pois são apenas instrumentos de fuga da realidade, sinal, muitas vezes, de covardia diante do ato de viver, que é, sim, complexo e difícil, mas deve ser encarado como a experiência única e vital do ser humano. Também não estou me debandando assim facilmente para as fileiras dos que defendem de forma demagógica e irresponsável o uso indiscriminado de drogas e sua descriminalização. Não me iludo e nem devem se iludir as pessoas menos desavisadas com slogans e mecanismos de pressão de minorias. Mas, a discussão séria do problema e, até mesmo, a possibilidade de concordar com a liberalização do uso das drogas devem fazer parte da pauta de qualquer sociedade democrática e preocupada realmente com a relação entre seus membros e seus mecanismos de defesa, com seu funcionamento mais lógico e mais republicano, com seu futuro, enfim. Sem hipocrisias.



(Escrevi esse artigo em 11.4.2005 e republico-o, por continuar pensando o que pensava e porque leio no jornal a campanha da PUC/SP para impedir que seus alunos fumem maconha no campus da Universidade).


junho 05, 2009

O HOMEM E SUA CASA, A TERRA




A estupidez nos leva a julgar-nos únicos, na escala da vida. A estupidez nos leva a pensar que somos filhos de deuses. A estupidez nos leva a imaginar que podemos sobreviver.

Não. Não somos a escala final da evolução biológica, nem filhos de um deus maluco que nos pôs aqui para gozar as delícias do paraíso perdido, depois do pecado.

Somos parte de um mundo em equilíbrio. Dele dependemos. E ele, esse planeta sereno em comparação com milhares ou milhões que podem existir no Universo, não depende de nós.

Somos o vírus da Terra, como quase tudo o que aqui existe.

Espécies mais fortes e gigantes, como os dinossauros, surgiram e desapareceram.

E assim com tantas outras espécies, que surgiram e desapareceram.

E a Terra continuou seu giro no espaço. Serena.

Serena, sim, mesmo com todos os terremotos, maremotos, tempestades e mudanças climáticas. Que são eventos mínimos, em comparação com eventos muito mais terríveis de inúmeros outros planetas no Universo.

Somos, os seres humanos, apenas mais uma espécie sobre esse planeta sereno. E temos, como, talvez, único diferencial de outras espécies, a possibilidade da escolha entre sobreviver ou morrer.

Se a espécie humana desaparecer de sobre a Terra, ela continuará serena a girar em torno de seu Sol, por muitos bilhões de anos ainda.

Mas temos a escolha: basta que cuidemos desse planeta sereno. Que não o maltratemos ao ponto de deixarmos com ele a escolha entre a nossa sobrevivência e a dele.

Porque ele, o planeta sereno, já escolheu, e sua escolha não nos contempla.

O equilíbrio está prestes a romper-se: é o momento de decidirmos se teremos herdeiros. Queimar o mundo em que vivemos não é matá-lo, porque ele se recupera, depois que se livrar de nós.

Então, o que você, ser humano, decide? Salvar o planeta e a si mesmo, ou deixar que ele, o planeta sereno, continue a girar em torno do sol sem a espécie humana?

maio 22, 2009

SOB O VÉU DA FÉ, DA ESPERANÇA E DA CARIDADE




As três virtudes teologais do cristianismo de fachada – fé, esperança e caridade – escondem há muito a farsa do preconceito, da intimidação, da humilhação, da exclusão. As religiões, cristianismo à frente, nunca foram flor que se cheirasse. De prestidigitação sempre viveram. Do engodo, para enriquecer, nenhuma das seitas que a humanidade já teve se livra. Em nome de deuses ou de um só deus disfarçado de muitos, as religiões têm feito muito mais mal à humanidade do que a fé ingênua de muitos possa suportar.

Agora, nesses dias de aumento da própria fé através do mundo, segundo cantam os líderes religiosos, as pessoas, a opinião pública, os meios de comunicação não dão a devida ênfase a duas notícias aterrorizadoras.

Na Irlanda, o caso de abusos e humilhações de centenas, talvez milhares, de crianças e jovens obrigados por seus pais católicos a frequentar escolas, abrigos, internatos e quejandos de padres, freiras e assemelhados, por mais de trinta anos. Eu diria, desde que a igreja católica é a igreja católica. O mal está no nascedouro. O ímpeto inquisitorial permanece no ímpeto evangelizador que torturou e matou milhões de seres humanos através da história. A evolução da sociedade, agora mais atenta a esse tipo de abuso, amenizou a maldade dessa gente, mas não a eliminou. Às vezes, transformou-a em exclusão e preconceito, como nos cultos neo-evangélicos, com suas demonstrações de amor, não ao ser humano, mas ao dinheiro, apenas ao dinheiro, e ao poder que ele traz. O reino de deus sempre esteve neste mundo, nunca em valores espirituais, tão decantados por esse triste cristianismo que domina as nossas vidas.

A segunda notícia também tem um fundo religioso de grande preocupação para a humanidade. Agora, do lado de lá, do oriente dominado por um islamismo antiquado e escravizador. Terroristas muçulmanos presos nos Estados Unidos pretendiam praticar uma série de atos contra os seus eternos inimigos judeus e contra os cidadãos estadunidenses, numa chamada guerra santa. Como se uma guerra, por qualquer motivo, pudesse ser santificada em nome de um deus que só deseja sangue, destruição. Um profeta louco a condenar indiscriminadamente qualquer pessoa que contrarie, por mínimo que seja, os seus princípios absurdos. Não podemos ter condescendência com esse tipo de pensamento deísta. A barbárie está na raiz desse tipo de seita, ou religião, ou chamem do que quiserem, mas nenhum deus, nenhum profeta, nenhum líder que pretensamente se diga representante de divindades que têm sede de sangue pode nos dizer o que fazer.

Não, não se pode ter contemplação ou qualquer tipo de condescendência para com superstições antigas que teimam em escravizar a mente do homem, baseadas em metafísicas inventadas apenas para confundir, para mentir, para manter o homem na ignorância e, assim, melhor torná-lo dócil ao domínio de seres inescrupulosos que se escondem sob mantos púrpuras ou de qualquer outra cor, com o nome de líder de seita ou religião.

Há um caminho longo, extremamente longo, à frente do homem, antes que ele se livre desse pesadelo que se chama deísmo. Porque são crenças arraigadas como ervas daninhas no pensamento universal. No entanto, os poucos que começam a ver o absurdo da trilha até agora seguida pelo homem não podem esmorecer. Um fósforo na imensa escuridão, por menor que seja. representa sempre uma esperança de dias melhores, quando se conseguirá, enfim, libertar a mente humana para coisas mais úteis que não sejam aquele desperdiçado no culto a deuses assassinos.

maio 19, 2009

A FARSA DA CPI DA PETROBRÁS




A cambada tucana ataca novamente.

Desde o desgoverno Collor, a direita brasileira quer porque quer privatizar a Petrobrás. Itamar Franco interrompeu o processo iniciado pelo falso caçador de marajás, mas Fernando Henrique Cardoso deu-lhe sequência. Só não obteve o seu intento, porque liminares na Justiça interromperam o processo.

Quem quiser que consulte os jornais, as revistas, a mídia, enfim, que, com aquela revistinha semanal safada, fizeram e têm feito campanhas mil para desmoralizar a empresa, a fim de que o capital internacional, há muito de olho em nossas riquezas, tenha pretexto para passarem a mão em nossa maior empresa.

Com as mais recentes descobertas do pré-sal, o olho grande aumentou de tamanho, tornado a Petrobrás uma das mais cobiçadas empresas do mundo, para a turma do quanto mais dinheiro melhor.

Com um governo nacionalista no poder, as coisas se tornam mais difíceis para essa cambada. Então, o que fazer?

Certos de que podem retomar o poder em 2010, já começaram a produzir factóides que comprometam a empresa diante da opinião pública, a fim de amenizar quaisquer campanhas futuras contra a privatização. E a melhor maneira de conseguirem isso é através de vendidos e canalhas como os senadores tucanos que armaram essa CPI que nem os “demos”, sabidamente os maiores entreguistas desse País, queriam que fosse formada.

A tucanalha se supera a cada dia que passa, em seu ímpeto entreguista e contra os interesses da Nação.

A finalidade implícita da CPI, a agenda oculta dessa cambada, consiste na retomada do jogo sujo de desmoralização de uma das maiores empresas do mundo, para entregá-la ao capital estrangeiro, de boca arreganhada para abocanhar mais uma fatia de nossa riqueza.

A mídia, mais uma vez, se presta ao serviço de agente a serviço das forças mais reacionárias e mais entreguistas desse País, corroborando o espetáculo que se arma diante do povo, para colocar na lama não a administração da Petrobrás (que essa pode ser substituída a qualquer momento), mas a própria empresa. E, assim, tornar viável o plano da tucanalha de vendê-la aos interesses estrangeiros.

Se o povo não tomar consciência disso (e será difícil que tal aconteça, diante do imenso lobby de tucanos, demos e mídia), podemos ter a certeza de que a CPI da Petrobrás vai-se transformar num dos maiores circos do mundo, para nos fazer de palhaços, como sempre nos fizeram esses políticos hipócritas e vendidos do PSDB e desse outro partidinho sem vergonha que os apoia sempre.

TIREM AS GARRAS DE CIMA DA PETROBRÁS – deve ser a nova campanha pelo nosso petróleo, pela conservação de nossas riquezas!

maio 14, 2009

ESSA NOSSA IMPRENSA PAULISTANA!...



No meu blog VÁ LAMBER SABÃO, fiz ironia com o “presidente eleito” e governador de São Paulo, o senhor José Serra, por ter falado umas bobagens sobre ser a gripe suína (ou nova gripe, como quer a Globo) ser proveniente dos “porquinhos” e que, então, o que se tem que fazer para preveni-la é “ficar longe dos porquinhos”, achando que isso teria alguma (não muita, por motivos mais do que óbvios!) repercussão na imprensa. Mas, nada, nem uma linha (nem o CQC se interessou pelo vídeo, que é muito engraçado – é só procurar no Youtube).

Continua blindado o nosso ilustre governador, tão protegido pela digna e isenta mídia paulistana, que até notícia boa aparece pouco nos meios de comunicação. Nem quando ele, o Serra, lança algum programa ou projeto ou grande obra, a repercussão é proporcional ao feito. Parece que a mídia tem medo de falar dele, para não “queimar” a careca do ilustre governador, com alguma inconsistência ou algum furo que possa ser encontrado em suas realizações. Então, só se fala o mais essencial possível, só quando se pode tirar algum proveito para alfinetar a Dilma ou o Governo Federal.

Então, hoje, surpresa!

Encontro no Estadão esta nota:

IMPRESSÃO

“Pode comer carne suína à vontade. Vou virar freguês desse filé”

José Serra, governador de São Paulo, defendendo a carne de porco em almoço com produtores do alimento. O objetivo era desfazer o mal estar criado após sua declaração sobre como o porco transmite a gripe suína para humanos virar hit na internet.


Contaram as linhas? Seis! Seis linhas!

E mais: esta nota aparece no canto direito, embaixo, da página A18 do jornal, em corpo tão minúsculo, que quase só se pode ler com lupa!

Ou seja, ninguém pode negar à imprensa (no caso, ao Estadão) que não repercutiu as palavras idiotas de um ex-ministro da saúde, sobre a tal gripe suína.

Porém, se o Lula diz que a gripe não é tão perigosa, como apregoou a OMS (e isso é a mais pura verdade, mesmo que todo mundo fique alerta, para que ela não se espalhe), vira manchete como uma gafe do Presidente.

É o que temos!

maio 13, 2009

SÃO PAULO NÃO PRECISA DE ENGENHEIROS... NEM DE MILITARES!




O caos urbano de São Paulo é resultado de décadas de administrações equivocadas ou, simplesmente, incompetentes ou corruptas.

Dentre os equívocos, está a eleição ou escolha biônica (nos tempos da ditadura) de muitos engenheiros que governaram essa cidade. Nada tenho contra engenheiros. Precisamos deles. E são competentes naquilo a que se prestam: fazer os cálculos necessários para que as obras que se constroem saiam dentro de parâmetros corretos. E não caiam. Alguns até são bons administradores. Mas isso é exceção. Engenheiro não deve administrar cidades. Porque a cabeça deles é voltada para a construção, para obras. Não para uma visão integrada de homem, meio ambiente e obras.

Prestes Maia, engenheiro, é cantado em prosa e verso em São Paulo, por haver realizado muitas obras que modernizaram a cidade. Deixou um plano de grandes intervenções que foi seguido por muitos outros prefeitos, principalmente por Faria Lima, um brigadeiro com vocação de construtor. Faria Lima, praticamente, reinventou a cidade, mas cometeu um equívoco fundamental, cujo preço pagamos e pagaremos por muito tempo: não respeitou a geografia da cidade, não respeitou seus rios.

Suas intervenções podem ser hoje amadas e odiadas, porque, por um lado desafogaram a cidade, por outro contribuíram para a mentalidade de que os rios, os riachos, os córregos que existiam (e existem ainda) na cidade são um mal que precisa ser erradicado. Então, canalização se tornou obrigação: se um riacho provoca enchente, canalize-o, e transforme seu leito numa rua, numa avenida. E tome asfalto!

A cidade perdeu em beleza. A cidade perdeu em qualidade de vida. A cidade perdeu as várzeas que absorviam as águas no tempo das chuvas. E tornou-se o inferno de hoje: as ruas e avenidas não comportam o volume de tráfego e as águas que trariam vida e qualidade de vida se transformaram em motivos de grandes enchentes, por qualquer chuva mais forte, não respeitando os limites impostos pela canalização absurda.

Além disso, os poucos veios d’água que correm à superfície, até mesmo os grandes rios, como o Tietê e o Pinheiros, estão de tal forma poluídos que parecem esgoto a céu aberto, porque a população não aprendeu a respeitá-los e joga em suas águas toda a porcaria que produz, incentivada pela indiferença dos administradores que permitiram e ainda permitem que empresas e fábricas também joguem seus dejetos nas mesmas águas, em ligações clandestinas de esgoto e rejeitos industriais.

São Paulo é terra de ninguém, não há dúvida. A maioria da população não tem conceito de cidadania, porque não aprendeu a respeitar a cidade em que vive. E não estou falando apenas das populações mais pobres que vivem dependuradas nas margens dos rios. Estou falando principalmente dos grandes empreendedores que não souberam respeitar as várzeas e as margens de rios e represas, grileiros que, sob o olhar complacente e corrupto de muitos administradores, enganaram a população ao levá-la a ocupar desordenadamente imensas glebas de terras públicas ou, de forma ainda mais criminosa, a povoar áreas de proteção ambiental, comprometendo o próprio futuro da cidade.

Então, São Paulo precisa de cidadania. E de administradores que tenham sensibilidade para dar um basta no crescimento da metrópole, de dar um basta na construção desordenada de obras e mais obras que só enriquecem as construtoras. Não quero mais engenheiros, como o senhor Gilberto Kassab, que só pensam em mais obras e mais obras, como se o cimento fosse a única saída para o caos urbano que já se instalou.

E, principalmente, não quero dezenas de militares a dar ordens em todas as esferas do poder público, como parece ser a preferência do atual engenheiro cabeça gorda que nos governa. Militares parecem bons no início, quando suas ordens e sua postura de linha dura parecem levar a todos a um primeiro susto e a obedecer-lhes. Mas, logo se tornam arrogantes e, principalmente, não têm competência para entender e resolver os problemas humanos, esses sim, os que importam, numa metrópole problemática como São Paulo.

Haja vista o que se transformou os governos militares que mandaram e desmandaram nesse País por tantos anos. Quando os que os apoiaram perceberam, já era tarde: estava todo mundo levando porrada a torto e a direito. Com milico é assim: não há meio termo. E esses mais de quarenta (até hoje, quando escrevo essas linhas) militares que foram chamados pelo Kassab para impor respeito à administração pública desprestigiada e corrompida logo estarão fazendo os cidadãos dessa cidade a andar marchando e a cumprir algumas horas de ordem unida. Ou seja, não pode isso dar certo.

Assim, quero uma cidade mais humana, com os seus rios de volta. Uma cidade habitável, menos poluída, com menos gente (um plano de médio e longo prazo para esvaziar a cidade é necessário e factível: São Paulo precisa parar de crescer e, depois, começar a diminuir!). E isso não será conseguido com administradores com cabeça de engenheiro que tenta militarizar uma cidade que precisa de educação, de escolas, de cidadania, de melhores condições de vida, e não apenas de mais e mais obras.

E chega de obras contra enchentes. Que isso, para mim, é puro contrassenso!

maio 11, 2009

O "MENSALÃO", SEUS MISTÉRIOS E INJUNÇÕES



A prosa de hoje talvez seja um pouco longa, mas preciso por na rede o que penso sobre um assunto que tem preocupado minha mente por muitos meses: o que está por trás da denúncia do mensalão. Acho que ainda se lembram do escândalo, não? Ocupou a mídia, em manchetes escandalosas, em depoimentos absurdos na televisão, em performances circenses em CPIs transmitidas ao vivo, como um dos espetáculos mais estranhos de nossa recém-inaugurada democracia.

Que, diga-se de passagem, sobreviveu ao terremoto, ou maremoto, até que o tsunami virou marolinha, para usar um termo caro à atual mídia, para ironizar o Presidente da República.

Bem, vamos lá, que a missão é árdua. E mais uma coisinha importante: os fatos estão aí, não os reproduzo. Interpreto-os. À luz de minha lógica. Particular e idiossincrática, certo?

Para mim, há duas figuras centrais na pantomima armada: o deputado e presidente do PTB, Roberto Jefferson e o então ministro José Dirceu. O resto é resto, ou seja, todos os demais são figurantes mais ou menos importantes no caso, mas coadjuvantes.

Para tentar entender o imbróglio, vamos ter de analisar dois fatos: porque José Dirceu foi processado e cassado e Roberto Jefferson virou cantor e... saiu do armário.

Não acredito em teorias conspiratórias, principalmente universais, mas acredito, sim, em pequenas grandes armações paroquiais, às vezes articuladas com extrema inteligência, mas contando sempre com os acasos do momento.

Foi mais ou menos o que aconteceu com a direita golpista aliada a uma parte da mídia, não menos golpista, representada por grandes forças interessadas na volta da direita ao poder. Direita essa, hoje representada por dois grandes partidos: o PSDB e o DEM. O primeiro renegou há muito suas origens mais ou menos nobres de centro-esquerda para se aliar às forças mais conservadoras do País, para construir um ninho demotucano de grande apelo aos que detêm o capital: FIESP (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) e demais associações de industriais; OAB/SP; os fazendeiros e agronecistas latifundiários; parcelas aqui e ali de outras instituições direitistas, além da mídia devidamente paga e cooptada pelas idéias neoliberais.

Então, aquilo que seria um escândalo idiota – o caixa dois – de que se valem todas as organizações partidárias desse País (que é ilegal e aética, sim!), transformou-se num açoite de proporções épicas, para demonizar o Partido dos Trabalhadores e tentar atingir o Presidente Lula, constitucionalmente eleito e em grande fase de apoio popular. Seria a vingança pelo que aconteceu com o “traidor das elites”, de triste memória, aquele das Alagoas, enfiado goela abaixo do povo pelas forças conservadoras.

Precisavam de um gatilho e de um nome de apelo, que grudasse, que caísse na boca do povo. Encontraram o gatilho no esperto e fanfarrão (e inteligente) presidente do PTB (aliado do Planalto, o que lhe conferia credibilidade), Roberto Jefferson.

Mas, porque tal elemento contribuiria para os planos da direita? Chantagem. Chantagem e promessas.

O presidente do PTB tem um segredo, o homossexualismo. E sonhos, claro. Além de um longo e belo rabo preso, sem nenhuma conotação sexual.

Então, foi fácil: ele botaria a boca no trombone, inventando, inclusive, o tal nome de apelo para a mídia – o mensalão – e teria, depois, o beneplácito da mídia para nunca demonizar a sua opção sexual, além da possibilidade de ter seus processos por corrupção amenizados por juízes corrompidos ou simpatizantes.

Armou-se, então, o circo.

Se o objetivo era atingir o Presidente, havia ainda uma preocupação secundária, mas fundamental: um homem de grande prestígio (por seu passado, por sua inteligência, por seu carisma) e de grande poder, dentro do Governo – José Dirceu, o nome certo para mais oito anos de poder do PT! Era preciso defenestrá-lo, custasse o que custasse.

Pode-se dizer o que quiser de José Dirceu, mas não que fosse corrupto ou desleal. Mas o mar de lama criado artificialmente pelas denúncias de Roberto Jefferson podia atingir o cerne do governo, ou seja, Lula. Para que isso não acontecesse, Dirceu foi para o sacrifício (graças à sua lealdade ao Partido e ao Presidente): salvavam-se, numa só cassação e desprestígio, o Governo e o Partido dos Trabalhadores.

E a direita lambeu os beiços: transformou um escândalo que teria proporções relativas numa grande crise que ameaçava até as instituições, para tirar de seu caminho um futuro candidato à Presidência, mesmo que para isso tivessem de engolir um possível segundo mandato de um Lula desprestigiado e enfraquecido.

Só não contavam que Lula – para compensar todo o desconforto da crise armada – voltasse com a corda toda para um segundo mandato e colocasse o Brasil no patamar em que se encontra hoje. E tivesse inalterado (e até aumentado) o seu prestígio tanto interno quanto no exterior.

Pobre direita (e mais pobres seremos nós, se seu candidato ganhar as próximas eleições!): ficou por um tempo zonza, sem bandeiras e, agora, precisa buscar qualquer pretexto para evitar o que seria para ela uma grande tragédia: a eleição de Dilma ou de qualquer outro candidato ligado às forças democráticas e não conservadoras.

E o “enorme” escândalo do “mensalão” está lá, nos escaninhos do Supremo Tribunal Federal, aguardando julgamento, sem, agora, mais nenhum charme, a não ser notas esparsas da mídia que insiste em chamar pelo apelido uma das práticas inventadas pela direita e apropriadas desastradamente por alguns destrambelhados do Partido dos Trabalhadores – o caixa dois no financiamento das campanhas políticas.

Por quanto tempo? Pelo passo de tartaruga do STF (para desespero dos inocentes), quem sabe? A não ser que o julgamento desse caso possa interessar às próximas eleições ou interferir em seu resultado.

Quem viver verá!

maio 05, 2009

HIGIENE, GENTE, HIGIENE, POR FAVOR!




Finalmente, a OMS – Organização Mundial da Saúde – enfatizou a noção simples de lavar as mãos várias vezes ao dia, como medida de prevenção a doenças.

Noções de higiene fazem parte da humanidade há muito pouco tempo. Somente no fim do século dezenove é que se descobriram os micro-organismos e se começou a associá-los como causa de doenças.

Manter não só as mãos, mas o ambiente em que se vive higienicamente limpo é condição fundamental para melhorar a saúde do povo. E bastam medidas simples, que não implicam gastos nem grandes esforços para isso: basta educação. E informação.

Falta de higiene não é privilégio de nenhuma classe social. Tanto ricos quanto pobres ou miseráveis podem não ter noções simples de higiene. E as bactérias não têm nenhum preconceito de classe: atacam em qualquer lugar, seja na favela ou no palacete, no boteco da esquina ou no restaurante estrelado.

Também a falta de princípios simples de higiene não ataca apenas o ignorante, se não os hospitais não estariam lutando sempre contra a famigerada infecção hospitalar, porque os médicos não tomam cuidados simples de higiene, como lavar as mãos entre o atendimento de um e outro paciente. Aliás, acho vergonhoso o comportamento de certos médicos a passear seus aventais brancos pelas ruas e bares próximos a qualquer hospital. Basta prestar atenção. E depois vão atender seus pacientes com todas as bactérias recolhidas de fuligem de carros, de contato com assentos e com outras pessoas!...

Enfim, higiene é fundamental, não só para combater a atual gripe, como em todos os momentos de nossa vida. Lavar sempre as mãos é apenas o mais elementar de todos os princípios de saúde individual e pública, pois é preciso mais, muito mais: redes de esgoto, limpeza e varredura das ruas, combate a pragas urbanas, como pombos, ratos, cães vadios, piolhos etc. E, acima de tudo, limpar nossas águas, rios, riachos, ribeirões, pois das águas que correm depende a própria sobrevivência da humanidade.