março 14, 2026

POR QUE NÃO VOU LAMENTAR A MORTE (AINDA NÃO OCORRIDA) DO JAIR

 


Havia prometido a mim mesmo não voltar a escrever sobre o ex-presidente e presidiário Jair Bolsonaro. Era melhor esquecê-lo e deixá-lo ir definitivamente para o lixo da história. Mas, diante da possibilidade de sua morte, já que está internado com broncopneumonia e suas funções renais pioraram, ocorreu-me fazer seu necrológio antecipado.

Fica, porém, uma ressalva: não desejo que ele morra logo, gostaria de vê-lo entubado e sofrendo, sofrendo muito, por falta de ar, como uma vez ele imitou, de forma caricata, quem estava sofrendo por causa das complicações da covid. E não me venham dizer que sou mau, que não devia desejar o sofrimento alheio. Respondo: pessoas como o seu Jair não merecem nenhum sentimento de comiseração, pois não há desculpa para os males que ele ocasionou ao País, em seus quatro anos de mandato. Ele não vai “morrer na cadeia”, como apregoaram os filhos que não saíram de uma de suas “fraquejadas”, mas sim num hospital, cercado de médicos e tendo a melhor medicina possível, coisa que ele negou aos brasileiros, ao sucatear o Ministério da Saúde, escolhendo os piores indivíduos possíveis para o cargo, inclusive um militar que, se cair de quatro, passará o resto da vida pastando. Vamos, pois, aos “melhores momentos”, para refrescar a memória dos esquecidos:


1. Isolou o País no concerto das nações, ao desenvolver uma política externa que levava a que nenhum chefe de estado o recebesse ou sequer falasse com ele (só o Trump o recebeu com pompa e circunstância, porque é da mesma laia que ele);

2. Jogou o país de novo no “mapa da fome”, com suas políticas anti-sociais;

3. Sucateou a saúde, principalmente o SUS:

4. Sucateou o ensino público federal: as universidades e as escolas técnicas;

5. Sucateou a ciência, diminuindo as verbas da pesquisa científica;

6. Sucateou a cultura, eliminando, inclusive, o ministério da cultura, por considerá-lo inútil, paralisando a indústria cinematográfica e demais setores culturais que dependiam de políticas públicas;

7. Não comprou vacinas no momento necessário, durante a pandemia de covid, sendo responsável por uma grande parte das 700.000 mortes ocorridas o país;

8. Defendeu o uso da cloroquina, droga comprovadamente inócua para pacientes afetados pelo vírus da covid;

9. Foi responsável pela divulgação de que as vacinas não funcionam, levando a inúmeros seguidores a não vacinar os seus filhos, o que é crime contra a população;

10. Não comprou nem distribuiu galões de oxigênio para inúmeros hospitais no momento de crise da pandemia;

11. Transformou a Polícia Federal de polícia de Estado em polícia de governo, tornando-a instrumento de suas políticas discricionárias;

12. Durante as eleições presidenciais, que ele perdeu, orientou a Polícia Federal a interceptar os ônibus que conduziam eleitores, nas regiões onde ele era claramente minoritário;

13. Foi responsável, em parte, pelo crescimento das igrejolas evangélicas caça-níqueis, divulgadoras de suas ideias estúpidas, através de falsos pastores que viram no seu governo a oportunidade de crescerem e adquirirem ganhos políticos, o que levou à eleição do atual pior Congresso da história, com uma grande parte de deputados e senadores estupidificados pela ideologia da extrema direita, com todos os malefícios que essa ideologia já trouxe ao desenvolvimento do Brasil;

14. Incentivou seus correligionários a acamparem na frente de quartéis, o que acabou levando a que esses indivíduos, iludidos por uma promessa de golpe de estado, atacassem os prédios do Congresso, do STF e o Palácio do Governo, no famigerado 8 de janeiro;

15. Tentou golpe de estado, tramando o assassinato do presidente eleito e seu vice e de um dos ministros do STF.

Creio que essa lista é suficiente, pois claramente são crimes contra o País, crimes contra a população e crimes contra a Constituição. Sua “obra” de demolição do Estado e a consequente instauração de um novo tipo de autoritarismo neonazifascita tem muitos outros exemplos, em atos e palavras com que ele contaminou a mente de muitos brasileiros, iludidos pelo canto de sereia de um falso moralismo pentecostal e “cristão”, que escondia interesses vis e mesquinhos da extrema direita golpista e atrasada que, no governo, joga o país no atraso, na desigualdade social, impondo uma mentalidade de subserviência a interesses mais do que escusos dos Estados Unidos da América.

Se o governo Juscelino Kubitschek se arvorou em fazer o Brasil progredir 50 anos em 5, mais um mandato de seu Jair e o povo brasileiro iria conhecer um momento histórico que nós não tivemos, a Idade Média.

Se a “obra” do seu governo tem as cores de um possível inferno, não podemos nos esquecer de suas “qualidades” pessoais: como deputado por 28 anos, não teve um só projeto de lei aprovado; e mais: era ou é (ainda não morreu) fascistoide (embora não saiba exatamente o que seja o fascismo), iletrado (mas se arvorava em ter como livro de cabeceira a biografia do pior torturador da ditadura militar de 64, embora eu tenha dúvidas de que o lera); misógino (afirmou que sua única filha fora fruto de uma “fraquejada”); homofóbico e racista (uma vez chegou a dizer que os negros de um quilombo pesavam algumas arrobas, como se fossem gado ou porcos); insensível (quando cobrado pelas inúmeras mortes de covid, soltou a famosa frase “e daí, não sou coveiro”, demostrando total falta de empatia para com outro ser humano)... enfim, um cardápio completo que faz parte de um ser humano que tem tudo para ser considerado desprezível.

Finalizando esse já longo e desperdiçado necrológio antecipado, confirmo minha intenção de não voltar a escrever sobre esse indivíduo, nunca mais em minha vida, nem comemorar eu irei o seu passamento, já que, se não for agora, vai ocorrer em algum momento. Eu espero que não demore muito, mas, se acaso ainda viver um tempo razoável, que o viva com dores, com sofrimento, com muita falta de ar, assim como ele um dia escarneceu dos milhares de brasileiros que sofriam com as consequências da covid, em leitos hospitalares sem oxigênio, porque seu ministro da saúde de plantão não comprara com antecedência os galões necessários, assim como seu governo retardou a compra das vacinas contra o vírus, levando à morte milhares de brasileiros, muitos dos quais provavelmente votaram nele e muitos dos que sobreviveram tornaram a votar. Ainda bem que esse indivíduo não venceu as eleições de 2020, senão estaríamos hoje vivendo um inferno ou... nas trevas de uma Idade Média com oitocentos anos de atraso.

Quando morrer, que os vermes o comam bem rápido... e não deixem nenhum vestígio de sua existência.


(Ilustração: imitação de falta de ar por doentes da covid)